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MATERIAL DIDÁTICO RELACIONAMENTO INTERPESSOAL E ÉTICA PROFISSIONAL 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 3 2 O AMBIENTE ORGANIZACIONAL E AS PESSOAS ................................... 4 3 SEIS PRINCÍPIOS DA ÉTICA SOCIAL ......................................................... 8 3.1 Identificando a importância dos princípios que norteiam a ética ................ 10 3.2 Ética e moral .............................................................................................. 11 3.3 Ética, moral e lei ........................................................................................ 12 3.4 A função da ética ....................................................................................... 14 3.5 Vantagens da implantação do código de ética ........................................... 15 3.6 O código de ética ....................................................................................... 16 4 ÉTICA PROFISSIONAL E BASES LEGAIS DA PROFISSÃO ................... 18 4.1 Ética social, profissional e política ............................................................. 21 4.2 As relações entre trabalho e ética .............................................................. 22 4.3 Virtudes da ética profissional ..................................................................... 24 4.4 O código de ética nas organizações .......................................................... 25 4.5 Ética na tomada de decisões ..................................................................... 26 5 QUESTÕES ÉTICAS ATUAIS ..................................................................... 28 5.1 Os efeitos das transformações contemporâneas nos códigos normativos 31 5.2 Função social da profissão e ambiência social contemporânea ................ 33 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 37 3 1 INTRODUÇÃO Prezado(a) aluno(a)! O Grupo Educacional FAVENI esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos a distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 O AMBIENTE ORGANIZACIONAL E AS PESSOAS Fonte: shre.ink/mvsc As organizações são movidas por pessoas e necessitam delas para efetivarem seus objetivos e são úteis as pessoas somente quando podem ser usadas para que determinados fins possam ser atingidos. Alguns objetivos são conscientes e tangíveis, tais como o sustento e manutenção da sobrevivência através da estabilidade, comodidade, segurança. Sobre este tema Silveira (2020) esclarece: O trabalho, em uma organização, pode desempenhar funções psicossociais, servindo para atender necessidades humanas: ele dá sentido à vida, prestígio e poder sobre outras pessoas, coisas, dados e processos; serve de elemento para configurar a identidade pessoal (como somos, como nos vemos e somos vistos por outros), viabiliza interação e contatos sociais; oportuniza o desenvolvimento de habilidades e competências, transmissão de normas, valores, crenças e expectativas sociais (SILVEIRA, 2020, p. 3). Conforme Justino (2015), o atual cenário competitivo do mercado exige que os gestores corporativos se atentem para o desenvolvimento pessoal para gerar as mudanças desejadas no ambiente organizacional, o que é de fundamental importância para que as empresas possam se destacar ou mesmo se manter no mercado. Assim, cabe aos gestores de pessoas saber lidar com os sentimentos, observar a capacidade e reconhecer as emoções próprias e daqueles que trabalham na equipe. 5 O essencial é que o cotidiano profissional seja permeado por um relacionamento interpessoal eficiente e positivo. Dentro da rotina de uma empresa, os colaboradores precisam trabalhar em conjunto e se comunicar. Para isso, é importante que os relacionamentos sejam baseados em confiança, transparência e respeito. Assim como na vida pessoal precisamos de pessoas ao nosso lado para crescermos e nos desenvolvermos, no meio profissional não é diferente. As relações saudáveis entre os funcionários de uma organização são benéficas para todos os envolvidos, inclusive para a evolução da empresa como um todo. A importância das equipes nas atividades de trabalho cresceu exponencialmente nas últimas décadas. O trabalho tem sido mais cooperativo do que solitário. Equipes mostram maior adaptabilidade, inovação e produtividade. A ênfase na cooperação colocou em xeque metodologias clássicas de recrutamento, seleção, treinamento e avaliação de desempenho. As competências técnicas se mostraram insuficientes para a compreensão do desempenho de indivíduos e grupos de trabalho, pois, a sinergia interpessoal entre membros de equipe se revelou fundamental para o sucesso. Esta sinergia está relacionada à similaridade dos interesses e valores dos participantes de equipes de trabalho (BRITO, 2012; MAGALHÃES, 2018). Segundo Mendes (2021), mesmo profissionais que trabalham em casa dependem de construir boas relações para serem bem-sucedidos. Por isso, desenvolver um forte relacionamento interpessoal no trabalho é uma tarefa importante. Quando se fala de relacionamento interpessoal no trabalho entende- se a união de vários indivíduos dentro do ambiente corporativo. É comum que essa relação se desenvolva entre profissionais que trabalhem em uma mesma organização ou façam parte de um mesmo time. De acordo com Silveira (2020): Cresce a prática de contratação de profissional através da sua pessoa jurídica, mas que trabalha dentro da empresa em relação comercial continuada similar ao empregado. O modelo de sentimento e relacionamento pode impregnar também este tipo de ligação profissional, visto que o ser humano tende a transpor seus modelos internalizados para diferentes convivências (SILVEIRA, 2020, p. 4). No entendimento de Justino (2015), perceber a vontade, o empenho, o envolvimento de cada funcionário é imprescindível para saber como e onde 6 pontuar para melhorar. Aos dirigentes cabe tomar a consciência do quanto o seu olhar e a sua presença influencia e interfere no comportamento do grupo, modelando-o para a direção necessária. Essa atuação promove mudanças que refletem no relacionamento com os clientes e fornecedores. Melhora a relação interpessoal e aumenta o respeito entre os colaboradores, levando-os a executar melhor as tarefas, e construir relacionamentos. Propõe- se que todos se envolvam, trazendo uma comunicação eficaz, motivando-os a compreender e respeitar uns aos outros. Menciona ainda Cosenza (2020), em relação ao fato de que o relacionamento interpessoal no trabalho nada mais é do que a conexão, ou seja, a relação entre duas ou mais pessoas em âmbito profissional. Trata-se de como esses indivíduos se relacionam, se tratam e qual é o nível de qualidade de suas relações. No trabalho, as relações estão fundadas nas funções de cada profissional. Dependendo da área de atuação tem mais contato com uma ou outra pessoa e para que o trabalho seja executado da melhor forma muitas vezes é necessário ser capaz de cultivar tais relações com maestria. Cada ambiente de trabalho tem um modo particular de resolver suas questões no âmbito das relações sociais, apresentando estilos de interação social e estratégias preferidas de solução de problemas. Quando um trabalhador não possui o estilo interpessoal pertinente a determinado contexto, dificilmente obterá aceitação e reconhecimento por seus pares, resultando no seu afastamento voluntário ou involuntário. Neste sentido, a avaliação psicológica para fins de seleção e movimentação de pessoas para ambientes de trabalho possui uma longa tradição no uso de medidas de personalidade. Por outro lado, ainda se observa a carência de pesquisas que investiguem quais características de personalidade são predominantes em contextos laborais específicos. Normalmente o relacionamento interpessoal no trabalho ocorre em empresas de médio e grande porte, em função do maior número de pessoas que integram um sistema de trabalho. As pessoas costumam se aproximar por empatia, fator importante para o relacionamento interpessoal no trabalho e também para a colocação do indivíduo no mercado, explica o psicólogo Marcelo Tozato (2021). 7 Por meio do relacionamento interpessoal no trabalho, profissionais conseguem mais facilmente feedback honesto, apoio durante momentos de crise, uma divisão melhor das tarefas do trabalho e melhora do clima organizacional. Silveira (2020) menciona ainda que: As relações de emprego ou de prestação de serviço tendem a ser pactuadas por contrato formal que especifica direitos e obrigações legais, como trabalho a ser desenvolvido e a compensação a ser recebida. Esses contratos tendem a não investigar ou tratar aspectos subjetivos presentes nesses casos. Para Woolams e Brown (1979), "todas as vezes que duas ou mais pessoas se relacionam, há sempre alguma expectativa à parte de cada uma em relação ao que deseja tirar do relacionamento" (SILVEIRA, 2020, p. 4). De acordo com Justino (2015), o autocontrole permite que a pessoa reconheça o seu sentimento quando ele ocorre e controle a emoção, adequando-se a situação. A automotivação é a capacidade de dirigir o sentimento e a emoção com foco no objetivo. Depende de empatia para reconhecer as necessidades dos outros como a própria e ser receptivo às diferenças. Isso facilita a habilidade do relacionamento interpessoal. O profissional que consegue compreender e administrar suas emoções como a raiva, o medo e a frustração, além de se reconhecer nos outros, apresenta desempenho positivo em situações desafiadoras como cobrança e mudanças organizacionais. Coloca-se de forma flexível e madura, controla os instintos explosivos e intempestivos. O clima organizacional é um indicador que tem como objetivo medir a satisfação e percepção dos funcionários de uma empresa em relação ao ambiente de trabalho no qual estão inseridos. Quando não há colaboração e respeito, o clima organizacional pode ficar mais pesado e negativo. As pessoas acabam se sentindo mais isoladas e tristes, afinal, um dia a dia com uma boa comunicação e parceria contribui para um clima mais leve e positivo. Pesquisadores desde muito tempo se dedicam a compreender o funcionamento das relações interpessoais no trabalho em equipe. Os grupos humanos tendem a desenvolver um estilo particular para realizar suas atividades. As características das tarefas e das pessoas combinam-se para formar um padrão de interações sociais que se estabiliza como o modus operandi de uma equipe de trabalho. Estes processos envolvem aspectos de 8 personalidade dos membros da equipe que interagem entre si e com as características do trabalho. Em geral, os profissionais que desenvolvem relacionamento interpessoal no trabalho são pessoas que possuem metas e objetivos em comum. Eles compartilham os mesmos interesses, possuem a mesma linha de raciocínio ou vêm de backgrounds parecidos. A linguagem verbal e não verbal e o saber ouvir são condições importantíssimas para se estabelecer o vínculo e fortalecê-lo. A liderança tem um papel muito importante neste caso, onde deve se estabelecer por respeito e admiração. Um relacionamento interpessoal no trabalho forte é aquele que, independentemente de posição ou cargo na empresa, se estabelece por empatia e equilíbrio, ressalta o profissional. Para Silveira (2020): O diálogo é um recurso para conhecer as vontades e interesses como elementos que impactam na motivação e compromisso com o que precisa ser realizado. Mando e cobrança não estimulam criatividade e comprometimento, mas dependência, rebeldia e até má vontade e sabotagem. Tendem a desencadear mal-estar e afastamento, conversas paralelas, que é o contrário do que o gestor necessita: foco na ação e qualidade para chegar aos resultados em clima favorável (SILVEIRA, 2020, p. 15). O fortalecimento do relacionamento interpessoal no trabalho é essencial para se trabalhar uma comunicação mais assertiva. Pessoas com dificuldade para se comunicar podem acabar cometendo mais erros e não conseguem ser tão eficientes trabalhando em equipe. Por isso, fomentar boas relações entre os colaboradores é essencial para garantir uma comunicação mais eficaz e transparente. 3 SEIS PRINCÍPIOS DA ÉTICA SOCIAL A ética social fundamenta-se em seis princípios clássicos, veja quais são: Dignidade da pessoa humana: A Convenção Americana sobre Direitos Humanos, de 1969, estabelece, em seu art. 11, § 1º, que “Toda pessoa humana tem direito ao respeito de sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade. ” É característica intrínseca e inalienável de cada ser humano, colocando-o como 9 merecedor do respeito e da consideração do estado e da sociedade (BRASIL, 1969). Direito de propriedade: O direito de propriedade é o direito das pessoas de possuírem coisas para atender às suas necessidades, para seu uso; é um direito pacificamente reconhecido por todos, conforme institui o art. 5º, XXII, CF/88 (BRASIL, 1988). Primazia do trabalho: O art. 442, da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT preconiza: o trabalho, atividade que o ser humano realiza para sobreviver, ganhar a vida e crescer como pessoa é a atividade de primordial importância, sem dúvida a mais expressiva da pessoa humana. A pessoa mesma está em seu trabalho. É comum as pessoas apresentarem-se pelo nome e pelo trabalho. Não só a subsistência pessoal e de familiares depende do trabalho, mas antes a própria pessoa, seu crescimento, seu desenvolvimento (BRASIL, 1943). Primazia do bem comum: O interesse do coletivo deve se sobrepor ao interesse individual, pois o avanço de uma sociedade depende do esforço conjunto das pessoas e só pode ser alcançado com a colaboração de todos os integrantes do grupo. Os seres humanos buscam naturalmente a união primeiramente porque são essencialmente sociais e em segundo lugar porque sentem inúmeras limitações ao agir isoladamente. É o conjunto de condições sociais que permite e favorece aos membros da sociedade o seu desenvolvimento pessoal e integral (SILVEIRA, 2020). Solidariedade: O art. 3º da Constituição Federal de 1988 traz como um de seus princípios a solidariedade: Um dos traços mais fortes da natureza humana. A pessoa imediatamente identifica o próximo como seu igual, ainda que não o conheça, ainda que de outra raça ou de outra língua. A solidariedade entre os seres humanos decorre diretamente do fato de todos serem da mesma natureza. É a chamada fraternidade humana (BRASIL, 1988). Subsidiariedade: A participação ativa das pessoas e de todos os grupos sociais nas esferas superiores, econômicas, políticas e sociais, de cada país e do mundo é a base desse princípio. Em latim, subsidere significa “sentar-se debaixo”, estar na reserva. Subsídio é o auxílio dado; quem recebe é dito subsidiado; quem doa é o subsidiário. Devido à presença do sufixo idade, a palavra subsidiariedade 10 significa o estado ou a qualidade de subsidiário. A organização social funciona porque o ser humano a sustenta na base (SILVEIRA, 2020). Ética profissional: A ética profissional diz respeito tanto ao comportamento do indivíduo em um ambiente de trabalho quanto à atuação de empresas e organizações. Para o indivíduo, é a observância dos comportamentos adequados ao convívio com colegas, chefias e clientes e dos compromissos assumidos com o trabalho. Para as empresas e organizações, é pautar sua atuação sempre pensando em algo melhor para a sociedade, pelo uso de boas práticas, como transparência, respeito às diversidades, respeito às leis, entre outras. Um conceito amplamente utilizado atualmente é o da sustentabilidade. Empresas e organizações procuram hoje o título de “sustentáveis”. Para tanto, precisam demonstrar suas práticas corretas em três esferas: ambiental, econômica e social (SILVEIRA, 2020). 3.1 Identificando a importância dos princípios que norteiam a ética Fonte: shre.ink/mvKe De acordo com os estudos de Silveira (2020), o código de ética profissional é um dos princípios que norteiam a ética com algumas diferenciações, pois varia de acordo com os campos de atuação. Porém, alguns itens da ética profissional são universais, ou seja, são aplicados independentemente da área em que o profissional atua. 11 Alguns elementos de ética profissional são válidos para qualquer profissão: ➢ Respeito à vida; ➢ Cooperação; ➢ Seriedade; ➢ Competência; ➢ Respeito à hierarquia; ➢ Responsabilidade, entre outros. Os conselhos de representação das profissões têm como responsabilidade criar os códigos de ética para cada área de atuação. Os códigos de ética servem para padronizar as condutas de comportamento e procedimentos operacionais. Dessa maneira, será garantida a segurança dos usuários de cada serviço e dos profissionais atuantes (SILVEIRA, 2020). 3.2 Ética e moral Fonte: shre.ink/mvKr Borges; Rodrigues (2011) esclarecem que no contexto filosófico, ética e moral possuem significados distintos. Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as 12 regras morais de forma racional, fundamentada, científica e teórica, ou seja, é uma reflexão sobre a moral. Já a moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por cada cidadão. Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau. A palavra ética vem do grego ethos, que significa morada, habitat, refúgio. Contudo, para os filósofos, a palavra se refere a caráter, índole. Sócrates coloca o autoconhecimento como a melhor forma de viver com sabedoria. Seguindo a máxima de Aristóteles em Ética a Nicômaco e em seu pensamento moral de forma geral, “somos o resultado de nossas escolhas”. Aristóteles acreditava que a ética se caracteriza pela finalidade e pelo objetivo a ser atingido, isto é, que se possa viver bem, ter uma vida boa, com e para os outros, com instituições justas. Já Platão entende que a justiça é a principal virtude a ser seguida. A palavra “moral” deriva do latim mores, que significa costume. A moral existe desde o início, pois as pessoas possuem uma consciência moral que as levam a distinguir o bem do mal no meio em que vivem, iniciando de fato quando o homem passou a viver em grupos, ou seja, surgiu nas sociedades primitivas. 3.3 Ética, moral e lei Fonte: shre.ink/mvQY 13 Para Cunha (2015), uma questão que dificulta muitas vezes a compreensão do conceito e da importância da conduta ética pelos indivíduos reside em outro conflito conceitual em relação às seguintes instituições: ética, moral e lei. Como não fomos educados a pensar nas questões: Quero? Devo? Posso? Assim o comportamento humano segue padrões automáticos, repetindo soluções e fórmulas há muito presentes no meio social. Esse padrão de comportamento provoca uma sensação de normalidade posto que as ações sejam aceitas pelo grupo, sobretudo porque os membros do grupo agem da mesma forma quando em situações semelhantes. Ora, isso não significa necessariamente que age eticamente, antes, porém; indica que se repete um padrão, e isso se configura comportamento de grupo. Por isso, as pessoas oferecem grande resistência em romper com os costumes e aceitar as mudanças. Cabe então uma reflexão sobre a questão da moral. O termo moral vem do latim mores que quer dizer costumes. Portanto moral trata-se de um conjunto de hábitos e costumes praticados por um grupo. Tais hábitos e costumes são aceitos e incorporados por serem considerados bons. Por consequência, os hábitos por serem bons; são considerados justos. Finalmente, os hábitos bons e justos cooperam para a realização das pessoas. Considerando que um conjunto de hábitos bons e justos se tornam imprescindíveis para os indivíduos, os mesmos são convencionados em forma de lei. Assim sendo, pode-se dizer que a lei é um conjunto de bons costumes (moral) aceitos e praticados por um grupo social. Sintetizando o conceito de lei, entende-se que as leis são acordos obrigatórios definidos entre os indivíduos de um grupo, cujo objetivo é assegurar o mínimo de justiça ou direitos. Desta forma, fica explícito que a lei é um instrumento que possibilita efetuar a justiça. Conforme Camargo (1999), toda lei deve ser uma ordenação da razão com o propósito de promover o bem comum. Sendo assim, para que a lei atenda ao componente ético, ela deve ser justa, de forma a indicar o que está em consonância com a natureza e a dignidade do homem, onde a justiça não é uma qualidade humana ou um direito adquirido, mas sim um princípio ou pilar da fundação de uma sociedade bem estruturada. 14 3.4 A função da ética Cunha (2015), ensina que a ética tem por finalidade investigar e esclarecer uma realidade moral e estruturar seus respectivos conceitos. A realidade moral sofre variações com o passar do tempo, afetando de igual forma seus princípios e normas. As convenções e os princípios éticos doutrinários vigentes no passado se alteram em função de vários fatores e influencias que vão desde as mudanças culturais até o avanço cada vez mais veloz da tecnologia. A ética analisa a forma do comportamento humano e da moral, e busca explicá-lo. É nesse contexto que se concentra o verdadeiro valor da ética. Portanto, a ética fornece a compreensão racional do comportamento humano, o qual será posteriormente o elemento formador da consciência, que, por sua vez, leva o indivíduo a buscar o que é realmente bom, correto e justo, buscando identificar e estabelecer os novos parâmetros que nortearão os limites e capacidades. É necessário lembrar que as empresas são compostas pelos seus colaboradores, pelas pessoas que nela trabalham e onde passam a maior parte do seu tempo, portanto quando se diz que uma empresa é ética, na verdade, afirma-se que as pessoas de determinada empresa se comportam de forma ética. Outro ponto importante é a questão da imagem que a corporação transmite ao mercado. Uma empresa cujos empregados independentes do setor em que trabalham ou do nível hierárquico que ocupam se comportam de maneira incorreta no aspecto ético, certamente sofrerá as consequências deste comportamento na medida em que os consumidores deixarão de adquirir seus produtos ou serviços, afetando a sua rentabilidade. Outro fator de grande influência é o acesso à informação. Com o avanço das tecnologias de comunicação, o acesso às informações foi facilitado, permitindo que as pessoas, aonde quer que estejam, acompanhem praticamente em tempo real os fatos ao redor do mundo. Em função disso, as empresas estabelecem os códigos de ética no objetivo de regulamentar o comportamento dos colaboradores, buscando desta forma evitar problemas que venham afetar 15 sua imagem no mercado. Mesmo assim, grandes corporações muitas vezes se vêem em situações embaraçosas e delicadas perante o mercado no aspecto. Isso significa que não basta apenas haver um código formalmente redigido para ser obedecido. É necessário que haja a conscientização sobre a importância da conduta ética no ambiente e nas ações profissionais. 3.5 Vantagens da implantação do código de ética Fonte: shre.ink/mvQv A implantação do Código promove benefícios que vão além do retorno financeiro imediato. Também não se trata de um modismo, pois o código estabelece a forma de conduta da empresa, o qual, por sua vez, agregará valor à imagem da empresa no mercado. As principais vantagens da implantação do código são: ➢ Fortalece a imagem da instituição junto à comunidade; ➢ Aproxima os profissionais da organização; ➢ Enquanto ferramenta soluciona conflitos e problemas internos; ➢ Colabora na ordem e transparência da imagem empresarial; ➢ Reflete a conduta moral da empresa e como ela é conduzida; ➢ Melhora a relação com os stakeholders; 16 ➢ O código leva a empresa a se comprometer com seu próprio desenvolvimento e o desenvolvimento da sociedade (BORGES; RODRIGUES, 2011). Portanto, a empresa que projeta a sua ascensão e permanência no mercado, promovendo o retorno dos investimentos aos acionistas e cumprindo o seu papel social perante a comunidade, jamais poderá prescindir da ética. 3.6 O código de ética De acordo com Sousa (2016), o código de ética é um acordo que estabelece os direitos e deveres de uma empresa, instituição, categoria profissional, organização não governamental (ONG), entre outros, a partir da sua missão, cultura e posicionamento social, que deve ser seguido pelos funcionários no exercício de suas funções profissionais. O sucesso das organizações está necessariamente atrelado ao processo de tomada de decisões. Nas empresas essa rotina ocorre praticamente a todo instante, abrangendo decisões de baixo impacto e decisões estratégicas que definirão os rumos da empresa no curto, médio e longo prazo. O ambiente empresarial é permeado de constantes mudanças e desafios. É neste contexto de incertezas, informações e opiniões conflitantes, que as decisões são tomadas, e é bem provável que por estas razões, muitas decisões redundam em fracasso. As decisões são uma forma de identificar e corrigir um ou mais problemas de um empreendimento. Inicialmente o processo de decisão é composto de duas etapas: ➢ Etapa da Identificação do problema: Nesta fase é necessário conhecer as condições ambientais e organizacionais, e analisar se o desempenho da empresa é favorável, diagnosticando possíveis falhas. ➢ Etapa de Solução: identificados os problemas, cabe aos gestores elencar dentre as possíveis formas de solução aquela que mais se adéqua à empresa para, posteriormente, ser exaustivamente discutida e, se aprovada; implantada. 17 As decisões empresariais variam de acordo com a urgência, intensidade, gravidade e complexidade dos problemas. É neste contexto que se torna fundamental aliar os fatores inteligência, ação e decisão nos processos de tomada de decisão pelos gestores. Abordagem Racional da Tomada de Decisão As decisões empresariais são relevantes e por esta razão, devem ser seguir critérios técnicos conhecidos como Abordagem Racional de Tomada de Decisão, os quais são: ➢ Monitorar o ambiente: Controlar as informações internas e externas que indiquem os desvios identificados na organização. ➢ Definição do problema: Detalhar o problema em toda a sua extensão e gravidade. ➢ Especificar os objetivos: Apontar os procedimentos aceitáveis para o contexto. ➢ Desenvolver soluções: Com base no levantamento dos dados, criar o maior número possível de alternativas de solução. ➢ Decidir: Adotar, dentre as possibilidades apontadas, aquela que melhor se aplique à condição de gestão das pessoas da empresa. ➢ Aplicar a solução: Aplicar a solução suportada por um plano identificando: prazos, pessoas, recursos e mecanismos de avaliação. O profissional deve aderir tanto aos padrões éticos da sociedade quanto às normas e regimentos internos das organizações. A ética profissional possibilita ao profissional um exercício diário e prazeroso de honestidade, comprometimento, confiabilidade, entre tantos outros, que conduzem o seu comportamento e tomada de decisões em suas atividades. Enfim, a recompensa é ser reconhecido não só pelo seu trabalho, mas também por sua conduta exemplar. Algumas profissões possuem comitês representativos responsáveis por definir códigos éticos específicos para cada ramo de atividade, como, por exemplo, o Conselho Federal de Medicina (CFM); o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). Esses códigos de ética formulados pelo conselho de administração visam padronizar procedimentos operacionais e comportamentos e garantir a 18 segurança dos profissionais e usuários de cada serviço. Eles estabelecem princípios éticos e morais para ocupações específicas e impõem punições disciplinares aos trabalhadores que não cumprem os procedimentos e normas de sua área, e protegem a sociedade de injustiças e desrespeito em qualquer área. Para tanto, o conselho de administração também é responsável por monitorar o cumprimento do código de ética. 4 ÉTICA PROFISSIONAL E BASES LEGAIS DA PROFISSÃO Gomes (2017), traz uma percepção relacionada aos conceitos de ética e moral que a literatura apresenta por diferentes pontos, mas que tendem a convergir, alguns autores debatem determinados aspectos por considerá-los mais significativos que outros. Portanto, a concepção de ética é exteriorizada, visto que o mundo ético é o mundo do “deve ser” e do “ser”; o primeiro significa o mundo dos juízos de valor, e o segundo, o mundo dos juízos de realidade. Também é importante mencionar que “a moral é a parte subjetiva da ética”. Sendo assim, a moral disciplina o comportamento do homem consigo mesmo, pois se trata dos costumes, deveres e modo de proceder dos homens com os outros homens segundo a justiça e a equidade natural. Em outras palavras, os princípios éticos e morais são, na verdade, os pilares da construção de uma identidade profissional e de sua moral, mais do que sua representação social contribui com a formação da consciência profissional. Refletindo sobre o tema, a moral é o conjunto de regras restritivas de conduta consideradas válidas no convívio social. É imperativa, restritiva, sujeitando o ato à condenação, à punição e conduzindo à heteronomia. A ética é aconselhadora: sujeita o ato à avaliação crítica e conduz à autonomia. Ética profissional é um conjunto de normas e valores de relacionamento e comportamento, que é adotado no ambiente de trabalho. Ética, em um sentido mais amplo, refere-se à ciência da conduta. De origem grega, éthos, a palavra ética significa “morada”, “habitat” ou “refugio”. Também pode-se trabalhar com o conceito de ética como o conjunto de normas tomado pela pessoa que vai adquirindo consciência de como deve se portar um profissional, e isso passa a fazer parte de sua conduta. O indivíduo 19 que possui ética profissional e cumpre com as normas de conduta de uma organização é mais valorizado e reconhecido, afinal, ética é a reflexão crítica sobre valores e princípios referentes à conduta humana para o agir consciente, o senso crítico e a arte de conviver e de ser feliz. Para Gomes (2017), a ética profissional é comparada com a filosofia do agir humano, visto que a vida é considerada como o bem em organizações humanas. A vida plenamente humana participa da cidadania, assumindo com plena consciência a recíproca relação entre direitos e deveres, sem esquecer que consiste essa mesma existência na esfera profissional. Esse mundo humano não é uma dádiva da natureza; é uma conquista cultural. A ética é aplicada no campo das atividades profissionais; assim, há a ética profissional do estudante de gestão ambiental e das demais outras profissões. A ética é ainda indispensável ao profissional, porque “o fazer” e “o agir” estão interligados na ação humana. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão; o agir refere-se à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão. Trabalhamos com a informação que a moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa como uma forma de garantir o seu bem-viver. Independe das fronteiras geográficas e garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum. O direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado. As leis têm uma base territorial; valem apenas para a área geográfica onde uma determinada população ou seus delegados vivem. Pode se reafirmar que a ética é o estudo geral do que é bom ou mau, correto ou incorreto, justo ou injusto, adequado ou inadequado. Um dos seus objetivos é a busca de justificativas para as regras propostas pela moral e pelo Direito. Ela é diferente de ambos, moral e Direito porque não estabelece regras. Os líderes de empresas defendem a ideia de que as pessoas éticas profissionalmente têm mais comprometimento com o trabalho e contribuem para o aumento do nível de confiança, resultando em mais produção e desenvolvimento da organização. No ambiente profissional, a ética se refere ao 20 caráter e é nela que se baseiam as relações interpessoais, objetivando principalmente o bem-estar e respeito no campo laboral. Gomes (2017), traz mais uma reflexão importante: afinal, quando se inicia a pensar sobre ética profissional? Esta reflexão sobre as ações realizadas no exercício de uma profissão deve iniciar bem antes da prática profissional. A escolha profissional, muitas vezes, pode acontecer na adolescência e já deve ser permeada por esta reflexão. Escolher uma profissão é uma opção, mas, ao escolhê-la, o conjunto de deveres profissionais passa a ser obrigatório. Muitas vezes, quando somos jovens, escolhemos uma carreira sem conhecer o conjunto de deveres que estamos prestes a assumir, tornando-nos, assim, parte daquela categoria. Voltando a reforçar a ideia da reflexão, esta deve incluir toda a fase de formação profissional, o aprendizado das competências e habilidades referentes à prática específica em uma determinada área antes do início do trabalho. Ao completar a formação em nível superior, a pessoa faz um juramento, que significa seu comprometimento com a categoria profissional em que formalmente ingressa. A adesão voluntária a um conjunto de regras estabelecidas como sendo as mais adequadas para o seu exercício é entendida pelo aspecto moral da chamada ética profissional. É importante ter sempre em mente que há atitudes que não estão escritas, ou mesmo descritas nos códigos de todas as profissões, mas são comuns a todas as atividades que uma pessoa pode exercer. Estas atitudes são, por exemplo, generosidade e cooperação no trabalho em equipe. Mesmo quando exercidas solitariamente em uma sala, fazem parte de um conjunto maior de atividades de que depende o bom desempenho desta. Também há atitudes consideradas como postura proativa como, por exemplo, não ficar restrito às tarefas solicitadas, mas contribuir para o engrandecimento do trabalho, mesmo que temporário. A pessoa ética segue estritamente todas as tarefas exigidas de seu cargo e cumpre os princípios estabelecidos pela sociedade e por sua equipe de trabalho. Também se menciona que qualquer profissão possui um conjunto de normas que serve de base da conduta dos profissionais, ou seja, a ética 21 profissional vale para todos os colaboradores de uma empresa. Esse conjunto de normas se chama Código de Ética (GOMES, 2017). 4.1 Ética social, profissional e política Conforme Gomes (2017), o convívio social é permeado por regras, princípios e noções que fundamentam a vida moral. O papel da ética é fazer a reflexão sobre esses princípios e noções. Existem diversas concepções de ética que variam de acordo com a ideia de ser humano com que se trabalha, desde a noção religiosa até o pragmatismo mais radical. Diferentemente da moral que é relativa a um grupo social, uma cultura, a ética pretende ser universal. Enquanto a moral pergunta “o que devo fazer?”, a ética pergunta “o que é o bem?”. A primeira é normativa, enquanto a segunda é reflexiva. Aristóteles (384-322 a.C) considerava a felicidade a finalidade da vida e a consequência do único dom humano, a razão. As virtudes intelectuais e morais seriam apenas os artifícios destinados à sua consecução. Já o epicurismo, doutrina idealizada por Epicuro (341-270 a.C), entretanto, identificava como sumo bem o prazer, sobretudo o prazer intelectual, e tal como os adeptos do estoicismo, escola fundada por Zenão de Cítio (340-264 a.C) recomendava uma vida dedicada à contemplação. No fim da Idade Média, São Tomás de Aquino (1225-1274) estabeleceria na lógica aristotélica os conceitos agostinianos de pecado original e da redenção através da graça divina. À medida que a Igreja Medieval se tornava mais poderosa, crescia um modelo de ética que trazia castigos aos pecados e recompensa à virtude pela imortalidade. Para Baruch Spinoza (1632-1677), a razão humana é o critério para um comportamento correto, e apenas as necessidades e interesses do homem estabelecem o que pode ser considerado bom e mau, o bem e o mal. Jean- Jacques Rousseau (1712-1778), por sua vez, em seu Contrato Social (1762), conferiu o mal ético aos desajustamentos sociais e declarava que os seres humanos eram bons por natureza. Uma das maiores cooperações à ética foi a de Emmanuel Kant (1724- 1804), em fins do século XVIII. Segundo ele, a moralidade de um ato não deve 22 ser julgada por suas consequências, e sim por sua motivação ética. As teses do utilitarismo, formuladas por Jeremy Bentham (1748-1832), recomenda o princípio da utilidade como meio de contribuir para aumentar a felicidade da comunidade. Já para Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), a história do mundo compreende “disciplinar a vontade natural descontrolada, levá-la a obedecer a um princípio universal e facilitar uma liberdade subjetiva”. Segundo Gomes (2017), a ética contemporânea é fragmentada, pois se abandonam os desejos de montar um conjunto de postulados e passa-se a analisar situações, temas e questões pontuais. Ainda se encontram divisões no modo de análise, e as duas principais visões são: Morais deontológicas (ou do dever ou da lei): que afirmam que o critério supremo é o dever ou as leis. O termo deontologia surgiu das palavras gregas “déon, déontos”, que significam “dever”, e “lógos”, que significa “discurso” ou “tratado”. Morais situacionais e relativistas: que se recusam a construir a moral sobre um princípio absoluto, seja ele o fim último ou o dever (GOMES, 2017). 4.2 As relações entre trabalho e ética Para que um trabalhador alcance a sua excelência profissional, é importante que siga padrões e valores da sociedade e, principalmente, da organização em que trabalha. A credibilidade vem da postura ética adotada pelo trabalhador, uma vez que a sua atuação deve ser consequência de uma reflexão sobre a melhor maneira de agir. A ética proporciona o ganho de confiança e respeito dos gestores e colegas. A ética no trabalho vai além do ponto de vista do dever, da obrigação, ou das normas de conduta que funcionam como um código moral dos funcionários. Ela pode ser entendida como um conjunto de (BORGES; RODRIGUES, 2011): ➢ Saberes, que forma a moral do trabalho, entendida como algo que define a forma como os trabalhadores devem conduzir as suas vidas enquanto estiverem trabalhando; 23 ➢ Normas éticas que devem formar a consciência do profissional e ser imperativas para a sua conduta; ➢ Princípios morais que devem ser observados no exercício de uma profissão; ➢ Valores e normas de comportamento e relacionamento adotados no ambiente de trabalho, no exercício de uma atividade. As organizações adotam padrões éticos profissionais, aplicando-os às suas regras de comportamento internas, visando o bom andamento de todos os processos organizacionais, o atingimento das metas e o alcance dos objetivos estratégicos. A ética no trabalho é a ferramenta de exercício cotidiano de honestidade, lealdade e comprometimento, que conduzem as ações do indivíduo no exercício de suas atividades na empresa. A ética no ambiente de trabalho é de fundamental importância para o bom funcionamento das atividades da empresa e das relações de trabalho entre os colaboradores. Quanto maior a organização, mais se faz necessário um código de ética, para que ele sirva para padronizar os procedimentos de trabalho e estabeleça regras e valores de conduta para todas as áreas. O código de ética prevê princípios a seguir e penas disciplinares aos trabalhadores que não obedecerem aos procedimentos e normas da área. Normalmente as organizações disponibilizam canais de comunicação próprios para denúncias, em que os funcionários podem relatar fatos de descumprimento das normas estabelecidas no código de ética e que tenham sido observados no ambiente de trabalho ou na relação com clientes. A ética no trabalho serve para construir relações de qualidade com os colegas de trabalho, chefes e subordinados, e para contribuir para o bom funcionamento das rotinas de trabalho, uma vez que relações amigáveis e respeitosas contribuem para o aumento do nível de confiança e comprometimento dos funcionários, refletindo no aumento da produção e do desenvolvimento da empresa. Os comportamentos antiéticos, por outro lado, prejudicam o clima organizacional, afetando o rendimento das equipes. A relação entre a ética no trabalho e os processos de subjetivação, ou seja, a maneira como podemos pensar a ética e o trabalho de forma mais 24 abstrata e subjetiva, pode ser compreendida como Bitencourt (2010), demonstra a seguir: ➢ Um código normativo, que age como um mecanismo disciplinador e de submissão dos funcionários; ➢ Um processo de identificação, relacionado ao reconhecimento social do funcionário como um cidadão; ➢ O conjunto de possibilidades trazidas pelo código normativo associado ao trabalho, que influencia a ética como prática reflexiva da liberdade, ou seja, uma reflexão sobre as decisões dos trabalhadores quanto ao próprio destino. O grau de liberdade para a reflexão ética vai depender dos valores morais que envolvem as formas de gestão e a cultura das empresas, bem como as restrições impostas pelo mercado de trabalho. Algumas profissões têm conselhos de representação que têm a responsabilidade de criar os códigos de ética específicos de cada área de atuação e, também, de fiscalizar o seu cumprimento. Esse código, chamado de código de ética profissional, é o conjunto de normas éticas que devem ser seguidas pelos profissionais enquanto exercem seu trabalho, independentemente da empresa em que estiverem. Ele existe para padronizar procedimentos operacionais e condutas de comportamento, garantindo a segurança dos profissionais e dos usuários de serviços específicos. Ele também prevê princípios a seguir e penas disciplinares aos trabalhadores que não obedecerem aos procedimentos e normas da área (BORGES; RODRIGUES, 2011). 4.3 Virtudes da ética profissional Algumas virtudes são ressaltadas como primordiais para o bom desenvolvimento profissional, como (Quadro 1): Quadro 1 – Virtudes da ética profissional 25 Comprometimento O compromisso do profissional se aplica sistemicamente. Em primeiro lugar, ele deve se comprometer com o próprio desenvolvimento contínuo e se comportar de maneira congruente com sua linha de pensamento, ou seja, agir para alcançar suas metas e objetivos, e o único caminho é a entrega dos resultados solicitados pela empresa. Em segundo lugar e não menos importante, ele deve estar comprometido com os colegas de trabalho, com os líderes e com o público da marca. Ao desempenhar sua função com excelência, automaticamente estará contribuindo para o todo. Responsabilidade Para a preservação de uma marca ou produto, o profissional deve manter uma postura congruente com seu trabalho e manter para si os dados que lhe foram confiados, a fim de garantir o sigilo necessário. Integridade É indispensável manter a transparência nas atividades exercidas, ser honesto com o gestor direto e demais profissionais, garantindo que todos sejam influenciados positivamente por seu trabalho, de forma direta ou indireta. Fonte: Adaptado de BORGES; RODRIGUES, 2011. 4.4 O código de ética nas organizações O código de ética, ou manual de conduta ética empresarial, é um documento que espelha os valores, princípios e a missão das organizações. O código permite que se conheça o posicionamento da corporação perante a sociedade com a qual interage direta e indiretamente. Através do Código é possível compreender e avaliar a função da empresa no mercado e a sua expectativa para com os seus colaboradores. O Código de Ética das organizações é baseado na legislação vigente no país, e versa sobre: ➢ As relações internas na organização; ➢ As relações com o consumidor; ➢ A proteção dos Direitos dos Trabalhadores; 26 ➢ O Repúdio às práticas ilegais (corrupção, assédio moral e sexual); ➢ Outros temas vigentes (BORGES; RODRIGUES, 2011). 4.5 Ética na tomada de decisões Fonte: shre.ink/mvL0 Em relação a tomada de decisão no ambiente profissional, Consenza (2020), esclerece que os códigos de conduta, a responsabilidade sócio ambiental, políticas, regulamentos, contratos e gestão, são algumas das principais formas de como as corporações podem e devem praticar sua ética na tomada das decisões empresariais e nas relações institucionais com a sociedade. As organizações buscam o máximo lucro como forma de acumulação de riqueza e sua distribuição aos acionistas e colaboradores. Contudo, o que vai possibilitar que esta meta seja alcançada, é a forma como a empresa atua e mobiliza a sua estrutura, respeitando seus valores morais, princípios e conduta ética. A competitividade do mercado é um dos fatores que leva as empresas a compreenderem que a ética e o respeito às leis, são valores inegociáveis e necessários no mundo atual. As decisões empresariais pautadas em princípios éticos refletem o comprometimento das empresas em respeitar as leis com transparência de tal modo que atendam as expectativas da sociedade. Nas tomadas de decisão 27 baseadas em princípios éticos é fundamental a clareza e a objetividade, pois é a partir destes procedimentos que os colaboradores se motivam e se sentem realmente partes integrantes da corporação. Consenza (2020), pontua que quando as decisões dos gestores respeitam os valores éticos, os consumidores, fornecedores, parceiros, governo e a sociedade de forma geral se sentem seguros e confiantes quanto aos produtos e ou serviços prestados por esta organização. Através da conduta ética a empresa fideliza e atrai novos clientes, solidificando a confiança destes junto à empresa, além de agregar credibilidade aos negócios. Ao aplicar padrões éticos na gestão da organização e nas decisões empresariais, a organização obtém melhores resultados ao enfrentar a concorrência. Um fator muito importante é o momento ou o quadro conjuntural em que as decisões serão tomadas. Decidir corretamente não é o suficiente, por isso a ética atua como uma bússola na tomada de decisões no mundo corporativo. Ao administrador compete a responsabilidade de tomar importantes decisões empresariais que causarão impactos relevantes em toda a corporação. Isso implica que suas decisões não devem apenas focar as questões da lucratividade e retorno financeiro aos investidores. As decisões também envolvem pessoas, e, por esta razão devem ser pautadas pela ética. Muitas empresas elaboram sua declaração de missão, visão e valores, porém, no momento de decidir sobre determinadas questões acabam por não observar tais princípios o que se configura em atitude incorreta sob o foco da ética. A crise americana de 2008, que se transformou numa grave crise global, foi provocada também pela ausência de uma conduta ética nas empresas que avalizavam financiamentos aos consumidores do mercado imobiliário considerados de alto risco. A empresa quebrou o código de ética no momento em que omitiu as reais condições da carteira que já indicava a possibilidade de inadimplência generalizada, como de fato ocorreu. Este exemplo mostra como as decisões tomadas sem amparo ético comprometem a imagem e o resultado das organizações, podendo inclusive causar danos irreparáveis à sociedade (CONSENZA, 2020). 28 5 QUESTÕES ÉTICAS ATUAIS Fonte: shre.ink/mvLJ Para Sá (2019), a atualidade tem exposto desafios e problematizações éticas que se configuram como um grande obstáculo para as sociedades, mas também como um grande aprendizado. A pluralidade entre os indivíduos traz questões muitas vezes pensadas no campo moral e, portanto, valorativo e mais subjetivo, que necessitam de uma intervenção ética. Ou seja, questões como a ética em relação à política, a aceitação do outro diferente e o reconhecimento de direitos compõem a reflexão ética contemporânea que, de modo mais universal, tem o papel de ponderar os posicionamentos e deliberar sobre o bem comum. Os dilemas éticos que se apresentam atualmente formam uma espécie de bifurcação. Se de um lado temos uma “crise ética” no campo da política e da organização social, por outro temos um avanço discursivo relacionado a campos como a bioética, questões de gênero e igualdade racial, entre outras questões. Não que essas áreas não necessitem de muitas conquistas, mas elas ocupam lugares de debate, o que anteriormente não era tão problematizado na sociedade. Na contemporaneidade a humanidade vivencia o resgate de certos ideais que colocam em risco o pacto democrático ao redor do mundo. Desse modo, ao mesmo tempo, em que se observa um avanço nos debates sobre alguns temas, 29 observa-se também um regresso sobre os mesmos temas engendrado por uma moral mais conservadora em alguns aspectos. Gomes (2017), menciona ainda que o fascismo surgiu na Europa, especificamente nos anos 1920, e serviu como modelo político para governos com o viés totalitário. Foi com Benito Mussolini que o Partido Nacional Fascista surgiu e ocupou o poder em 1922, na Itália. Tal partido, de viés socialista, adotou práticas antidemocráticas e de repressão para se manter no poder e acabou por servir de modelo a Hitler para a imposição do nazismo na Alemanha, com viés à extrema-direita. Ou seja, após a Primeira Guerra Mundial, tanto a Itália quanto a Alemanha ficaram devastadas, o que levou à ascensão de líderes ditadores que vinham com a promessa de revitalização social e econômica. Independentemente da orientação ideológica, ambos tinham práticas ditas fascistas. Ou seja, enquanto Mussolini tinha como inimigo qualquer oposição aos seus ideais e governo, Hitler tinha como inimigos comunistas, judeus e qualquer oposição. Não se pode dizer que o fascismo esteja ressurgindo na sua versão clássica, a imposição de um partido único, mobilização das massas em torno de tal partido ou, ainda, a repressão e o extermínio de opositores. Entretanto, a recombinação de elementos totalitários nas sociedades atuais é perceptível. Por exemplo, o controle sobre a mídia em certos países, ou ainda a descredibilização de informações, a fim de que haja uma “verdade” vinculada ao governo, como se pode observar na Rússia, sob a governança de Vladimir Putin. Outro elemento é a responsabilização de crises que se dão no mercado financeiro a um inimigo comum, como ocorreu na Alemanha nazista, quando a má situação econômica foi atribuída ao sucesso financeiro dos judeus. Assim, assistiu-se ao surgimento de novos líderes em contextos de crise, com esperanças messiânicas por parte da população e eles utilizam como agência de poder o ódio ao outro, ao escolherem um grupo para responsabilizar pelos resultados negativos. No tocante ao racismo e à xenofobia, eles sempre existiram na Europa, mas cada vez mais se tornam instrumentos políticos para mobilizar as pessoas em direção ao medo e à desconfiança. Ao invés do ódio ao judeu ou ao comunismo entre outros. Nesse contexto, ressalta-se o risco democrático atual, 30 tendo como exemplo o número crescente de neonazistas na Alemanha ou a fundação do Partido CasaPound (em homenagem ao poeta Ezra Pound, que apoiou Mussolini) na Itália, que tem como proposta o antissistema, o ultranacionalismo, a anti-União Europeia e a anti-imigração, e se declara de extrema-direita. Vale ressaltar que o avanço de debates éticos em diversos campos fica condicionado à abertura cultural de determinadas sociedades, o que passa pela abertura política. Por exemplo, a discussão atrelada ao gênero. Os números de mulheres que reivindicam igualdade salarial e social só têm aumentado; entretanto, um dos obstáculos que se fazem presentes é a relativização dos problemas enfrentados pelas mulheres, tais como feminicídio, agressão, abusos físicos e psicológicos, jornada dupla ou tripla, entre outros. Assim, diante da importante conquista de tal tema estar sendo discutido e problematizado, também há a descredibilização da importância desse debate. O mesmo se dá em torno da discussão sobre identidade de gênero, em que se tem um grande avanço na discussão sobre a imposição heteronormativa sobre os corpos e, do mesmo modo, uma grande repressão em torno dessa discussão. Já no campo das ciências, que também são afetadas pela política, tem- se uma vida dupla em relação os avanços e retrocessos, tais como: ao mesmo tempo que descobertas são feitas e debatidas sobre aplicabilidade e respeito à vida, tem-se, principalmente no Brasil, o questionamento sobre o investimento na pesquisa ser importante ou não. Muitas das obstaculizações ocorrem por parte de setores conservadores, o que gera um impasse entre moral e ética. Uma vez que a tarefa da ética é buscar um consenso em vista de um bem comum, muitos dos avanços científicos são interpelados pelos discursos religiosos, a exemplo das discussões sobre anticoncepcionais, transfusão sanguínea, clonagem, entre outros. Dessa forma, é possível concluir que as questões éticas estão inseridas em todos os setores da sociedade e estão em constante mutação (GOMES, 2017). 31 5.1 Os efeitos das transformações contemporâneas nos códigos normativos Fonte: shre.ink/mvLF Em relação aos efeitos das transformações contemporâneas nos códigos normativos Bitencourt (2010), traz uma discussão em torno das transformações da ética no trabalho, criando duas definições sobre o tema: ➢ é um código antigo, com origem na doutrina protestante e que se associou ao espírito capitalista da modernidade; ➢ é a discussão sobre a remodelação desse código devido às transformações sociais, que possibilitam a reflexão sobre o lugar que o trabalho exerce na vida das pessoas. O autor ainda menciona que o termo ética no trabalho, ou ética protestante do trabalho, surgiu no Brasil em 1967, depois da tradução brasileira da obra A ética protestante e o “espírito” do capitalismo, de Max Weber. Ele faz referência às condições morais para o surgimento do capitalismo, condições essas que estavam presentes na ética protestante. O protestantismo foi um movimento religioso que eclodiu na Europa Central, no início do século XVI, como reação contra as doutrinas e práticas do catolicismo romano medieval. A motivação psicológica para o trabalho era uma forma de a doutrina protestante se assegurar. O trabalho passou a ser visto como obrigação moral para as pessoas 32 e o capitalismo passou, então, a não precisar mais da religião como um suporte. No princípio, os fundamentos da ética no trabalho eram: ➢ A busca individual do sucesso; ➢ A capacidade de o indivíduo postergar o seu prazer e divertimento em prol do acúmulo de dinheiro; ➢ A aceitação da existência de uma obrigação moral de trabalhar de forma disciplinada, mesmo que o trabalho fosse árduo e difícil; ➢ A obediência às ordens do patrão, sempre com o devido sentimento de obrigação em relação a elas; ➢ A importância do trabalho em todos os aspectos da vida, significando valorização pessoal. Ainda conforme Bitencourt (2010), na sociedade industrial, a ética no trabalho passou a ser considerada como um elemento essencial para a modernização da sociedade, e muitos estudos tentaram estabelecer a relação existente entre a ética no trabalho e as transformações possivelmente trazidas pelo capitalismo. No Brasil, o trabalho passou a ser valorizado com a criação da carteira de trabalho, documento que demonstra o exercício da cidadania do indivíduo e o esforço do país em atribuir ao trabalho um caráter essencial na vida dos indivíduos. O trabalho passou a ser visto então como uma fonte de dignidade e de moralidade e uma ferramenta de ascensão na sociedade, além de uma forma de servir ao sustento do país por meio da submissão e da obediência. Atualmente, a relação entre trabalho e cidadania e a associação dos valores ligados ao trabalho e à família passam por modificações radicais na nova estruturação do capitalismo. Nos países capitalistas, os códigos normativos começaram a passar por transformações contemporâneas devido ao aumento do individualismo, à diminuição dos laços sociais, à cultura do narcisismo, à perspectiva de incerteza generalizada na sociedade, à competição extremada, à destruição das garantias das estabilidades e à consideração do código moral como algo de importância relativa. 33 5.2 Função social da profissão e ambiência social contemporânea Sá (2019), menciona que o trabalho individual influencia ao mesmo tempo, em que recebe intervenções do meio, sendo, que em seu grupo o profissional compartilha sua contribuição ou a sonega. Quando ele adquire o senso do valor social de suas ações, de sua vontade em relação ao comum, ele é capaz de realizar atos importantes de ampla influência. Quando o Estado, como organização motivada pela sociedade, desperta as ideias da coletividade, quando as administrações públicas são sinceras com seu povo, quando a justiça se aplica sem garantir e não esconde as falhas dos mais poderosos, a consciência da sociedade é exercido com maior influência. Diante, todavia, de um exercício ineficaz da autoridade e de um poder corrupto, oligárquico e incompetente, abala-se a vontade de uma ação de cooperação para com o Estado. Nas circunstâncias descritas, podem ocorrer atitudes mentais adversas para a nação e para a sociedade. Assim, por exemplo, a corrupção e o roubo podem implantar-se como conduta justificável diante daquelas praticadas pelo poder. Como afirmou Spengler, a ideia do Estado que requer a participação igualitária de todos é consequência de todo um processo histórico e de uma cultura que se consolida nessas áreas do ideal. Como isso nega, em parte, a ideia de que a contribuição seja uma índole e que tenha força para sobrepujar o interesse individual. Idealmente, entretanto, é imprescindível que as profissões se preocupem com o social, mas, se não são induzidas a isto, o que tende a ocorrer é a ação irresponsável de todos (SÁ, 2019, p.138). A ausência de responsabilidade para com o coletivo gera, como consequência natural, a irresponsabilidade para com a qualidade do trabalho. Ofertas indiscriminadas de “pacotes de propostas”, com rótulos mercadológicos, invadem os mercados de serviços e de bens, sem nenhum compromisso com a utilidade. Apresentam-se ideias antigas, fracassadas em suas épocas, mas com outra rotulagem, cercadas de vasta propaganda e literatura (como o caso da “reengenharia”, para citar-se um só exemplo), preocupadas apenas com a “venda de serviços”, para promoverem receitas profissionais, sem responsabilidades em relação aos efeitos sociais das medidas derivadas. 34 Planos econômicos são elaborados para efeitos políticos, sem atenção aos danos sociais que causam, sobrepondo interesses monetários àqueles humanos e do bem-estar. Vendem-se pareceres profissionais para certificar situações estáveis de empresas onde já há plena instabilidade, atos de corrupção e decadência. Todo esse quadro de atentados das profissões ao ambiente social, praticado em todos os níveis e em todas as classes, não por todos, mas por grupos minoritários dominantes, mostram-nos a distância entre o ideal social e o egoísmo acentuado no desempenho de um trabalho de cunho apenas lucrativo e de proveito individual. Essa mesma falta de responsabilidade e de visão para com o social também se espelha na elaboração e aprovação de leis, como amplamente e há mais de um século já reclamava e expunha Spencer em seus trabalhos (SÁ, 2019, p. 140). Outra questão delicada, em face do social, diz respeito à filosofia que um Estado segue, impelido pela decisão totalitária de grupos do poder, deixando-se guiar por “verdades relativas”, ou “critérios de conveniência política”. O movimento das cruzadas, na Idade Média, e as Guerras Mundiais, na Idade Contemporânea, são apenas dois exemplos que poderiam ser evocados para evidenciar que o destino dos povos nem sempre segue um puro interesse moral e que o social pode estar encasulado e envolvido por essas “bandeiras de verdades aparentes”. Como conceber o verdadeiramente moral perante a sociedade, ou mesmo diante do Estado, se trata de um tema complexo, uma vez que o Ético perante o Estado deva ser encontrado dentro de uma filosofia de virtudes, de prática do bem, de encontro com a felicidade, como preconizou Aristóteles, ou com o prazer, como admitiu Bentham, mas custa-me aceitar que as “bandeiras” ou “filosofias subjetivas de grupos do poder” possam ser a parametria verdadeira do social, do que se deve aspirar como conduta humana. A contribuição profissional, todavia, é, muitas vezes, compulsoriamente exigida e, quando está de acordo com a lei, ganha aparência de ética, mas, na essência, de acordo com o autor mencionado anteriormente, não pode ser aceita como tal. Entre a vontade ética, aquela da concepção de Kant, de Espinosa, e aquela que se toma para satisfazer tais “bandeiras”, parece-lhe existir um conflito ideológico de profundidade. Até que ponto a vontade do ser, para ser ética, deva seguir os princípios de uma ciência ou de uma vontade exigível que se ajusta ou amolda a critérios de conveniências de “bandeiras” políticas, mascarada como social, em um 35 momento histórico, entendo como valioso distinguir-se, pois custo a aceitar a referida mescla conforme a circunstância, se a política fere os princípios éticos, estabelecidos pela ciência, o que nesse sentido se produzir como conduta, pode ser do interesse do Estado, mas não o será daquele social, em sentido absoluto, ou seja, pode ser bom para o Estado, mas não o ser para os indivíduos. As linhas entre a conduta perante a nação e aquela perante os princípios científicos da Ética, nesse caso, e também entre os próprios interesses sociais que em tese devem coincidir com os do Estado, embora isto nem sempre ocorra, parecem árduas de traçar. Questiona-se até que ponto o profissional deve atender a uma ética científica ou a uma conduta volvida ao cumprimento das leis de seu país, que espelham a política do governo das minorias dominantes, na atualidade. É absolutamente justo e criterioso admitir-se a vontade ética volvida a realizar uma conduta em prol do social, mas o que entender verdadeiramente por social faz-se exigível para uma orientação sadia. Não se trata de fazer apologia de uma desobediência civil, mas de reconhecer que o poder, nas mãos de minorias dominantes, há muito tempo, em quase todo o mundo, deixou de praticar uma política verdadeiramente em favor da sociedade, e isto se comprova pelas estatísticas que indicam o progresso da miséria no mundo, paralelamente a um progresso da má distribuição da renda (SÁ, 2019, p.142). As profissões que derivam da aplicação de conhecimentos classificados como sociais, do homem, diante das realidades contemporâneas, encontram sérias dificuldades. Tais barreiras evidenciam-se inclusive diante de sentenças e de acórdãos, de juízes e de tribunais que se rebelam contra as próprias leis aprovadas pelo governo, produzindo decisões que são autênticos gritos de evocações morais, diante de uma ambiência política do legislativo e do executivo que consideram volvida contra o interesse do povo. Outras vezes, tais rebeldias têm-se consubstanciado na desobediência civil diante de medidas do governo que ferem a ética profissional. Tais atitudes são bastante evidentes para comprovar a tese de que na conduta humana, na aplicação dos preceitos éticos, não se pode negar a parcela de cooperação do indivíduo ao social, nem confundir o Estado com a sociedade, nem um governo com o próprio sentimento individual e nacional. 36 Não se pode negar que o Estado nasceu de uma vontade das sociedades de se organizarem, mas não é menor verdade que a autoridade e o poder exercidos em nome de tal instituição nem sempre têm se comportado dentro dos interesses das próprias sociedades. O objetivo do Estado é o bem público, mas nem sempre os dirigentes, incumbidos de cumprir tais propósitos, se comportaram dentro de uma filosofia sadia e motivadora da ética. O direito pode legitimar um poder e este legitimar outras situações de direito, mas nada disso legitima a conduta que se processa contra os princípios éticos. Não se confundem, pois, as formas legais com as essências éticas, e nisso pode residir uma colisão entre as ações do poder e aquelas da real prática das virtudes. O social em si, o Estado como decorrência do social, as classes, os grupos e as relações próximas entre os seres criam deveres éticos específicos e definidos em relação à conduta relativa a cada um. A realidade, entretanto, mostra, também, que não existem sociedades constituídas total e exclusivamente por virtuosos, nem só por células sociais eficazes. Tarefa da ciência ética e das ciências sociais é contribuir para que tais estágios desejáveis sejam alcançados, pelo menos, quase totalmente. Isto implica a produção de modelos científicos que podem ser construídos para serem paradigmas de uma nova sociedade, conquistada pelos esforços do aperfeiçoamento das condutas e da consecução da felicidade. Não se trata de desejos vãos, mas de esforços da razão no sentido da produção de máximas para uma convivência humana fundada em critérios de condutas e procedimentos competentes para a consagração do respeito humano e da vitória do amor sobre todos os vícios, em sua modéstia de vida, mas em sua grandeza de alma (SÁ, 2019). 37 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BITENCOURT, C. Gestão Contemporânea de Pessoas: novas práticas, conceitos tradicionais. 2. ed. Porto Alegre: Bookman. 2010. BORGES, I. R; RODRIGUES, M. C. Ética e Responsabilidade Profissional. Canoas: Ulbra, 2011. BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 05/10/2022. BRASIL, Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 05/10/2022. CAMARGO, M. Fundamentos de ética geral e profissional. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1999. COSENZA, Bruna. Como o líder deve tratar o relacionamento interpessoal no trabalho? 2020. CUNHA, C. Ética e moral: qual é a diferença? UOL vestibular, 6 nov, 2015. EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA. Ética e moral. Em Cantos e versos, 2014. GOMES, Juliano. Ética social, profissional e política. 2017. JUSTINO, Eduardo. A importância do relacionamento interpessoal na gestão de competência da empresa AFACO convertedora gás natural veicular Ltda. 2015. MAGALHÃES, M. O; BRITO, F. S. Estilos interpessoais de trabalhadores em diferentes ambientes ocupacionais. 2018. MENDES Tatyane. 5 dicas sobre relacionamento interpessoal no trabalho. 2021. ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS INTERAMERICANOS. Convenção Americana sobre Direitos Humanos. San José: OEA, 1969. SÁ, A. L. Ética profissional. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2019. SILVEIRA, Laucemir. As Etapas do Contrato Transacional nas Relações Interpessoais, Grupais e Organizacionais. 2020. SOUSA, J. W. A. Ética e legislação contábil. Porto Alegre: Sagah, 2016. 38 SPENGLER, Oswaldo. La decadencia de occidente. Madri: Espasa-Calpe, 1945. v. 4, In: SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2019. p. 149 ss. SPENCER, Herbert. O indivíduo e o estado. Salvador: Progresso. In: SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2019. p. 37.
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MATERIAL DIDÁTICO RELACIONAMENTO INTERPESSOAL E ÉTICA PROFISSIONAL 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 3 2 O AMBIENTE ORGANIZACIONAL E AS PESSOAS ................................... 4 3 SEIS PRINCÍPIOS DA ÉTICA SOCIAL ......................................................... 8 3.1 Identificando a importância dos princípios que norteiam a ética ................ 10 3.2 Ética e moral .............................................................................................. 11 3.3 Ética, moral e lei ........................................................................................ 12 3.4 A função da ética ....................................................................................... 14 3.5 Vantagens da implantação do código de ética ........................................... 15 3.6 O código de ética ....................................................................................... 16 4 ÉTICA PROFISSIONAL E BASES LEGAIS DA PROFISSÃO ................... 18 4.1 Ética social, profissional e política ............................................................. 21 4.2 As relações entre trabalho e ética .............................................................. 22 4.3 Virtudes da ética profissional ..................................................................... 24 4.4 O código de ética nas organizações .......................................................... 25 4.5 Ética na tomada de decisões ..................................................................... 26 5 QUESTÕES ÉTICAS ATUAIS ..................................................................... 28 5.1 Os efeitos das transformações contemporâneas nos códigos normativos 31 5.2 Função social da profissão e ambiência social contemporânea ................ 33 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 37 3 1 INTRODUÇÃO Prezado(a) aluno(a)! O Grupo Educacional FAVENI esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos a distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 O AMBIENTE ORGANIZACIONAL E AS PESSOAS Fonte: shre.ink/mvsc As organizações são movidas por pessoas e necessitam delas para efetivarem seus objetivos e são úteis as pessoas somente quando podem ser usadas para que determinados fins possam ser atingidos. Alguns objetivos são conscientes e tangíveis, tais como o sustento e manutenção da sobrevivência através da estabilidade, comodidade, segurança. Sobre este tema Silveira (2020) esclarece: O trabalho, em uma organização, pode desempenhar funções psicossociais, servindo para atender necessidades humanas: ele dá sentido à vida, prestígio e poder sobre outras pessoas, coisas, dados e processos; serve de elemento para configurar a identidade pessoal (como somos, como nos vemos e somos vistos por outros), viabiliza interação e contatos sociais; oportuniza o desenvolvimento de habilidades e competências, transmissão de normas, valores, crenças e expectativas sociais (SILVEIRA, 2020, p. 3). Conforme Justino (2015), o atual cenário competitivo do mercado exige que os gestores corporativos se atentem para o desenvolvimento pessoal para gerar as mudanças desejadas no ambiente organizacional, o que é de fundamental importância para que as empresas possam se destacar ou mesmo se manter no mercado. Assim, cabe aos gestores de pessoas saber lidar com os sentimentos, observar a capacidade e reconhecer as emoções próprias e daqueles que trabalham na equipe. 5 O essencial é que o cotidiano profissional seja permeado por um relacionamento interpessoal eficiente e positivo. Dentro da rotina de uma empresa, os colaboradores precisam trabalhar em conjunto e se comunicar. Para isso, é importante que os relacionamentos sejam baseados em confiança, transparência e respeito. Assim como na vida pessoal precisamos de pessoas ao nosso lado para crescermos e nos desenvolvermos, no meio profissional não é diferente. As relações saudáveis entre os funcionários de uma organização são benéficas para todos os envolvidos, inclusive para a evolução da empresa como um todo. A importância das equipes nas atividades de trabalho cresceu exponencialmente nas últimas décadas. O trabalho tem sido mais cooperativo do que solitário. Equipes mostram maior adaptabilidade, inovação e produtividade. A ênfase na cooperação colocou em xeque metodologias clássicas de recrutamento, seleção, treinamento e avaliação de desempenho. As competências técnicas se mostraram insuficientes para a compreensão do desempenho de indivíduos e grupos de trabalho, pois, a sinergia interpessoal entre membros de equipe se revelou fundamental para o sucesso. Esta sinergia está relacionada à similaridade dos interesses e valores dos participantes de equipes de trabalho (BRITO, 2012; MAGALHÃES, 2018). Segundo Mendes (2021), mesmo profissionais que trabalham em casa dependem de construir boas relações para serem bem-sucedidos. Por isso, desenvolver um forte relacionamento interpessoal no trabalho é uma tarefa importante. Quando se fala de relacionamento interpessoal no trabalho entende- se a união de vários indivíduos dentro do ambiente corporativo. É comum que essa relação se desenvolva entre profissionais que trabalhem em uma mesma organização ou façam parte de um mesmo time. De acordo com Silveira (2020): Cresce a prática de contratação de profissional através da sua pessoa jurídica, mas que trabalha dentro da empresa em relação comercial continuada similar ao empregado. O modelo de sentimento e relacionamento pode impregnar também este tipo de ligação profissional, visto que o ser humano tende a transpor seus modelos internalizados para diferentes convivências (SILVEIRA, 2020, p. 4). No entendimento de Justino (2015), perceber a vontade, o empenho, o envolvimento de cada funcionário é imprescindível para saber como e onde 6 pontuar para melhorar. Aos dirigentes cabe tomar a consciência do quanto o seu olhar e a sua presença influencia e interfere no comportamento do grupo, modelando-o para a direção necessária. Essa atuação promove mudanças que refletem no relacionamento com os clientes e fornecedores. Melhora a relação interpessoal e aumenta o respeito entre os colaboradores, levando-os a executar melhor as tarefas, e construir relacionamentos. Propõe- se que todos se envolvam, trazendo uma comunicação eficaz, motivando-os a compreender e respeitar uns aos outros. Menciona ainda Cosenza (2020), em relação ao fato de que o relacionamento interpessoal no trabalho nada mais é do que a conexão, ou seja, a relação entre duas ou mais pessoas em âmbito profissional. Trata-se de como esses indivíduos se relacionam, se tratam e qual é o nível de qualidade de suas relações. No trabalho, as relações estão fundadas nas funções de cada profissional. Dependendo da área de atuação tem mais contato com uma ou outra pessoa e para que o trabalho seja executado da melhor forma muitas vezes é necessário ser capaz de cultivar tais relações com maestria. Cada ambiente de trabalho tem um modo particular de resolver suas questões no âmbito das relações sociais, apresentando estilos de interação social e estratégias preferidas de solução de problemas. Quando um trabalhador não possui o estilo interpessoal pertinente a determinado contexto, dificilmente obterá aceitação e reconhecimento por seus pares, resultando no seu afastamento voluntário ou involuntário. Neste sentido, a avaliação psicológica para fins de seleção e movimentação de pessoas para ambientes de trabalho possui uma longa tradição no uso de medidas de personalidade. Por outro lado, ainda se observa a carência de pesquisas que investiguem quais características de personalidade são predominantes em contextos laborais específicos. Normalmente o relacionamento interpessoal no trabalho ocorre em empresas de médio e grande porte, em função do maior número de pessoas que integram um sistema de trabalho. As pessoas costumam se aproximar por empatia, fator importante para o relacionamento interpessoal no trabalho e também para a colocação do indivíduo no mercado, explica o psicólogo Marcelo Tozato (2021). 7 Por meio do relacionamento interpessoal no trabalho, profissionais conseguem mais facilmente feedback honesto, apoio durante momentos de crise, uma divisão melhor das tarefas do trabalho e melhora do clima organizacional. Silveira (2020) menciona ainda que: As relações de emprego ou de prestação de serviço tendem a ser pactuadas por contrato formal que especifica direitos e obrigações legais, como trabalho a ser desenvolvido e a compensação a ser recebida. Esses contratos tendem a não investigar ou tratar aspectos subjetivos presentes nesses casos. Para Woolams e Brown (1979), "todas as vezes que duas ou mais pessoas se relacionam, há sempre alguma expectativa à parte de cada uma em relação ao que deseja tirar do relacionamento" (SILVEIRA, 2020, p. 4). De acordo com Justino (2015), o autocontrole permite que a pessoa reconheça o seu sentimento quando ele ocorre e controle a emoção, adequando-se a situação. A automotivação é a capacidade de dirigir o sentimento e a emoção com foco no objetivo. Depende de empatia para reconhecer as necessidades dos outros como a própria e ser receptivo às diferenças. Isso facilita a habilidade do relacionamento interpessoal. O profissional que consegue compreender e administrar suas emoções como a raiva, o medo e a frustração, além de se reconhecer nos outros, apresenta desempenho positivo em situações desafiadoras como cobrança e mudanças organizacionais. Coloca-se de forma flexível e madura, controla os instintos explosivos e intempestivos. O clima organizacional é um indicador que tem como objetivo medir a satisfação e percepção dos funcionários de uma empresa em relação ao ambiente de trabalho no qual estão inseridos. Quando não há colaboração e respeito, o clima organizacional pode ficar mais pesado e negativo. As pessoas acabam se sentindo mais isoladas e tristes, afinal, um dia a dia com uma boa comunicação e parceria contribui para um clima mais leve e positivo. Pesquisadores desde muito tempo se dedicam a compreender o funcionamento das relações interpessoais no trabalho em equipe. Os grupos humanos tendem a desenvolver um estilo particular para realizar suas atividades. As características das tarefas e das pessoas combinam-se para formar um padrão de interações sociais que se estabiliza como o modus operandi de uma equipe de trabalho. Estes processos envolvem aspectos de 8 personalidade dos membros da equipe que interagem entre si e com as características do trabalho. Em geral, os profissionais que desenvolvem relacionamento interpessoal no trabalho são pessoas que possuem metas e objetivos em comum. Eles compartilham os mesmos interesses, possuem a mesma linha de raciocínio ou vêm de backgrounds parecidos. A linguagem verbal e não verbal e o saber ouvir são condições importantíssimas para se estabelecer o vínculo e fortalecê-lo. A liderança tem um papel muito importante neste caso, onde deve se estabelecer por respeito e admiração. Um relacionamento interpessoal no trabalho forte é aquele que, independentemente de posição ou cargo na empresa, se estabelece por empatia e equilíbrio, ressalta o profissional. Para Silveira (2020): O diálogo é um recurso para conhecer as vontades e interesses como elementos que impactam na motivação e compromisso com o que precisa ser realizado. Mando e cobrança não estimulam criatividade e comprometimento, mas dependência, rebeldia e até má vontade e sabotagem. Tendem a desencadear mal-estar e afastamento, conversas paralelas, que é o contrário do que o gestor necessita: foco na ação e qualidade para chegar aos resultados em clima favorável (SILVEIRA, 2020, p. 15). O fortalecimento do relacionamento interpessoal no trabalho é essencial para se trabalhar uma comunicação mais assertiva. Pessoas com dificuldade para se comunicar podem acabar cometendo mais erros e não conseguem ser tão eficientes trabalhando em equipe. Por isso, fomentar boas relações entre os colaboradores é essencial para garantir uma comunicação mais eficaz e transparente. 3 SEIS PRINCÍPIOS DA ÉTICA SOCIAL A ética social fundamenta-se em seis princípios clássicos, veja quais são: Dignidade da pessoa humana: A Convenção Americana sobre Direitos Humanos, de 1969, estabelece, em seu art. 11, § 1º, que “Toda pessoa humana tem direito ao respeito de sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade. ” É característica intrínseca e inalienável de cada ser humano, colocando-o como 9 merecedor do respeito e da consideração do estado e da sociedade (BRASIL, 1969). Direito de propriedade: O direito de propriedade é o direito das pessoas de possuírem coisas para atender às suas necessidades, para seu uso; é um direito pacificamente reconhecido por todos, conforme institui o art. 5º, XXII, CF/88 (BRASIL, 1988). Primazia do trabalho: O art. 442, da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT preconiza: o trabalho, atividade que o ser humano realiza para sobreviver, ganhar a vida e crescer como pessoa é a atividade de primordial importância, sem dúvida a mais expressiva da pessoa humana. A pessoa mesma está em seu trabalho. É comum as pessoas apresentarem-se pelo nome e pelo trabalho. Não só a subsistência pessoal e de familiares depende do trabalho, mas antes a própria pessoa, seu crescimento, seu desenvolvimento (BRASIL, 1943). Primazia do bem comum: O interesse do coletivo deve se sobrepor ao interesse individual, pois o avanço de uma sociedade depende do esforço conjunto das pessoas e só pode ser alcançado com a colaboração de todos os integrantes do grupo. Os seres humanos buscam naturalmente a união primeiramente porque são essencialmente sociais e em segundo lugar porque sentem inúmeras limitações ao agir isoladamente. É o conjunto de condições sociais que permite e favorece aos membros da sociedade o seu desenvolvimento pessoal e integral (SILVEIRA, 2020). Solidariedade: O art. 3º da Constituição Federal de 1988 traz como um de seus princípios a solidariedade: Um dos traços mais fortes da natureza humana. A pessoa imediatamente identifica o próximo como seu igual, ainda que não o conheça, ainda que de outra raça ou de outra língua. A solidariedade entre os seres humanos decorre diretamente do fato de todos serem da mesma natureza. É a chamada fraternidade humana (BRASIL, 1988). Subsidiariedade: A participação ativa das pessoas e de todos os grupos sociais nas esferas superiores, econômicas, políticas e sociais, de cada país e do mundo é a base desse princípio. Em latim, subsidere significa “sentar-se debaixo”, estar na reserva. Subsídio é o auxílio dado; quem recebe é dito subsidiado; quem doa é o subsidiário. Devido à presença do sufixo idade, a palavra subsidiariedade 10 significa o estado ou a qualidade de subsidiário. A organização social funciona porque o ser humano a sustenta na base (SILVEIRA, 2020). Ética profissional: A ética profissional diz respeito tanto ao comportamento do indivíduo em um ambiente de trabalho quanto à atuação de empresas e organizações. Para o indivíduo, é a observância dos comportamentos adequados ao convívio com colegas, chefias e clientes e dos compromissos assumidos com o trabalho. Para as empresas e organizações, é pautar sua atuação sempre pensando em algo melhor para a sociedade, pelo uso de boas práticas, como transparência, respeito às diversidades, respeito às leis, entre outras. Um conceito amplamente utilizado atualmente é o da sustentabilidade. Empresas e organizações procuram hoje o título de “sustentáveis”. Para tanto, precisam demonstrar suas práticas corretas em três esferas: ambiental, econômica e social (SILVEIRA, 2020). 3.1 Identificando a importância dos princípios que norteiam a ética Fonte: shre.ink/mvKe De acordo com os estudos de Silveira (2020), o código de ética profissional é um dos princípios que norteiam a ética com algumas diferenciações, pois varia de acordo com os campos de atuação. Porém, alguns itens da ética profissional são universais, ou seja, são aplicados independentemente da área em que o profissional atua. 11 Alguns elementos de ética profissional são válidos para qualquer profissão: ➢ Respeito à vida; ➢ Cooperação; ➢ Seriedade; ➢ Competência; ➢ Respeito à hierarquia; ➢ Responsabilidade, entre outros. Os conselhos de representação das profissões têm como responsabilidade criar os códigos de ética para cada área de atuação. Os códigos de ética servem para padronizar as condutas de comportamento e procedimentos operacionais. Dessa maneira, será garantida a segurança dos usuários de cada serviço e dos profissionais atuantes (SILVEIRA, 2020). 3.2 Ética e moral Fonte: shre.ink/mvKr Borges; Rodrigues (2011) esclarecem que no contexto filosófico, ética e moral possuem significados distintos. Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as 12 regras morais de forma racional, fundamentada, científica e teórica, ou seja, é uma reflexão sobre a moral. Já a moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por cada cidadão. Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau. A palavra ética vem do grego ethos, que significa morada, habitat, refúgio. Contudo, para os filósofos, a palavra se refere a caráter, índole. Sócrates coloca o autoconhecimento como a melhor forma de viver com sabedoria. Seguindo a máxima de Aristóteles em Ética a Nicômaco e em seu pensamento moral de forma geral, “somos o resultado de nossas escolhas”. Aristóteles acreditava que a ética se caracteriza pela finalidade e pelo objetivo a ser atingido, isto é, que se possa viver bem, ter uma vida boa, com e para os outros, com instituições justas. Já Platão entende que a justiça é a principal virtude a ser seguida. A palavra “moral” deriva do latim mores, que significa costume. A moral existe desde o início, pois as pessoas possuem uma consciência moral que as levam a distinguir o bem do mal no meio em que vivem, iniciando de fato quando o homem passou a viver em grupos, ou seja, surgiu nas sociedades primitivas. 3.3 Ética, moral e lei Fonte: shre.ink/mvQY 13 Para Cunha (2015), uma questão que dificulta muitas vezes a compreensão do conceito e da importância da conduta ética pelos indivíduos reside em outro conflito conceitual em relação às seguintes instituições: ética, moral e lei. Como não fomos educados a pensar nas questões: Quero? Devo? Posso? Assim o comportamento humano segue padrões automáticos, repetindo soluções e fórmulas há muito presentes no meio social. Esse padrão de comportamento provoca uma sensação de normalidade posto que as ações sejam aceitas pelo grupo, sobretudo porque os membros do grupo agem da mesma forma quando em situações semelhantes. Ora, isso não significa necessariamente que age eticamente, antes, porém; indica que se repete um padrão, e isso se configura comportamento de grupo. Por isso, as pessoas oferecem grande resistência em romper com os costumes e aceitar as mudanças. Cabe então uma reflexão sobre a questão da moral. O termo moral vem do latim mores que quer dizer costumes. Portanto moral trata-se de um conjunto de hábitos e costumes praticados por um grupo. Tais hábitos e costumes são aceitos e incorporados por serem considerados bons. Por consequência, os hábitos por serem bons; são considerados justos. Finalmente, os hábitos bons e justos cooperam para a realização das pessoas. Considerando que um conjunto de hábitos bons e justos se tornam imprescindíveis para os indivíduos, os mesmos são convencionados em forma de lei. Assim sendo, pode-se dizer que a lei é um conjunto de bons costumes (moral) aceitos e praticados por um grupo social. Sintetizando o conceito de lei, entende-se que as leis são acordos obrigatórios definidos entre os indivíduos de um grupo, cujo objetivo é assegurar o mínimo de justiça ou direitos. Desta forma, fica explícito que a lei é um instrumento que possibilita efetuar a justiça. Conforme Camargo (1999), toda lei deve ser uma ordenação da razão com o propósito de promover o bem comum. Sendo assim, para que a lei atenda ao componente ético, ela deve ser justa, de forma a indicar o que está em consonância com a natureza e a dignidade do homem, onde a justiça não é uma qualidade humana ou um direito adquirido, mas sim um princípio ou pilar da fundação de uma sociedade bem estruturada. 14 3.4 A função da ética Cunha (2015), ensina que a ética tem por finalidade investigar e esclarecer uma realidade moral e estruturar seus respectivos conceitos. A realidade moral sofre variações com o passar do tempo, afetando de igual forma seus princípios e normas. As convenções e os princípios éticos doutrinários vigentes no passado se alteram em função de vários fatores e influencias que vão desde as mudanças culturais até o avanço cada vez mais veloz da tecnologia. A ética analisa a forma do comportamento humano e da moral, e busca explicá-lo. É nesse contexto que se concentra o verdadeiro valor da ética. Portanto, a ética fornece a compreensão racional do comportamento humano, o qual será posteriormente o elemento formador da consciência, que, por sua vez, leva o indivíduo a buscar o que é realmente bom, correto e justo, buscando identificar e estabelecer os novos parâmetros que nortearão os limites e capacidades. É necessário lembrar que as empresas são compostas pelos seus colaboradores, pelas pessoas que nela trabalham e onde passam a maior parte do seu tempo, portanto quando se diz que uma empresa é ética, na verdade, afirma-se que as pessoas de determinada empresa se comportam de forma ética. Outro ponto importante é a questão da imagem que a corporação transmite ao mercado. Uma empresa cujos empregados independentes do setor em que trabalham ou do nível hierárquico que ocupam se comportam de maneira incorreta no aspecto ético, certamente sofrerá as consequências deste comportamento na medida em que os consumidores deixarão de adquirir seus produtos ou serviços, afetando a sua rentabilidade. Outro fator de grande influência é o acesso à informação. Com o avanço das tecnologias de comunicação, o acesso às informações foi facilitado, permitindo que as pessoas, aonde quer que estejam, acompanhem praticamente em tempo real os fatos ao redor do mundo. Em função disso, as empresas estabelecem os códigos de ética no objetivo de regulamentar o comportamento dos colaboradores, buscando desta forma evitar problemas que venham afetar 15 sua imagem no mercado. Mesmo assim, grandes corporações muitas vezes se vêem em situações embaraçosas e delicadas perante o mercado no aspecto. Isso significa que não basta apenas haver um código formalmente redigido para ser obedecido. É necessário que haja a conscientização sobre a importância da conduta ética no ambiente e nas ações profissionais. 3.5 Vantagens da implantação do código de ética Fonte: shre.ink/mvQv A implantação do Código promove benefícios que vão além do retorno financeiro imediato. Também não se trata de um modismo, pois o código estabelece a forma de conduta da empresa, o qual, por sua vez, agregará valor à imagem da empresa no mercado. As principais vantagens da implantação do código são: ➢ Fortalece a imagem da instituição junto à comunidade; ➢ Aproxima os profissionais da organização; ➢ Enquanto ferramenta soluciona conflitos e problemas internos; ➢ Colabora na ordem e transparência da imagem empresarial; ➢ Reflete a conduta moral da empresa e como ela é conduzida; ➢ Melhora a relação com os stakeholders; 16 ➢ O código leva a empresa a se comprometer com seu próprio desenvolvimento e o desenvolvimento da sociedade (BORGES; RODRIGUES, 2011). Portanto, a empresa que projeta a sua ascensão e permanência no mercado, promovendo o retorno dos investimentos aos acionistas e cumprindo o seu papel social perante a comunidade, jamais poderá prescindir da ética. 3.6 O código de ética De acordo com Sousa (2016), o código de ética é um acordo que estabelece os direitos e deveres de uma empresa, instituição, categoria profissional, organização não governamental (ONG), entre outros, a partir da sua missão, cultura e posicionamento social, que deve ser seguido pelos funcionários no exercício de suas funções profissionais. O sucesso das organizações está necessariamente atrelado ao processo de tomada de decisões. Nas empresas essa rotina ocorre praticamente a todo instante, abrangendo decisões de baixo impacto e decisões estratégicas que definirão os rumos da empresa no curto, médio e longo prazo. O ambiente empresarial é permeado de constantes mudanças e desafios. É neste contexto de incertezas, informações e opiniões conflitantes, que as decisões são tomadas, e é bem provável que por estas razões, muitas decisões redundam em fracasso. As decisões são uma forma de identificar e corrigir um ou mais problemas de um empreendimento. Inicialmente o processo de decisão é composto de duas etapas: ➢ Etapa da Identificação do problema: Nesta fase é necessário conhecer as condições ambientais e organizacionais, e analisar se o desempenho da empresa é favorável, diagnosticando possíveis falhas. ➢ Etapa de Solução: identificados os problemas, cabe aos gestores elencar dentre as possíveis formas de solução aquela que mais se adéqua à empresa para, posteriormente, ser exaustivamente discutida e, se aprovada; implantada. 17 As decisões empresariais variam de acordo com a urgência, intensidade, gravidade e complexidade dos problemas. É neste contexto que se torna fundamental aliar os fatores inteligência, ação e decisão nos processos de tomada de decisão pelos gestores. Abordagem Racional da Tomada de Decisão As decisões empresariais são relevantes e por esta razão, devem ser seguir critérios técnicos conhecidos como Abordagem Racional de Tomada de Decisão, os quais são: ➢ Monitorar o ambiente: Controlar as informações internas e externas que indiquem os desvios identificados na organização. ➢ Definição do problema: Detalhar o problema em toda a sua extensão e gravidade. ➢ Especificar os objetivos: Apontar os procedimentos aceitáveis para o contexto. ➢ Desenvolver soluções: Com base no levantamento dos dados, criar o maior número possível de alternativas de solução. ➢ Decidir: Adotar, dentre as possibilidades apontadas, aquela que melhor se aplique à condição de gestão das pessoas da empresa. ➢ Aplicar a solução: Aplicar a solução suportada por um plano identificando: prazos, pessoas, recursos e mecanismos de avaliação. O profissional deve aderir tanto aos padrões éticos da sociedade quanto às normas e regimentos internos das organizações. A ética profissional possibilita ao profissional um exercício diário e prazeroso de honestidade, comprometimento, confiabilidade, entre tantos outros, que conduzem o seu comportamento e tomada de decisões em suas atividades. Enfim, a recompensa é ser reconhecido não só pelo seu trabalho, mas também por sua conduta exemplar. Algumas profissões possuem comitês representativos responsáveis por definir códigos éticos específicos para cada ramo de atividade, como, por exemplo, o Conselho Federal de Medicina (CFM); o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). Esses códigos de ética formulados pelo conselho de administração visam padronizar procedimentos operacionais e comportamentos e garantir a 18 segurança dos profissionais e usuários de cada serviço. Eles estabelecem princípios éticos e morais para ocupações específicas e impõem punições disciplinares aos trabalhadores que não cumprem os procedimentos e normas de sua área, e protegem a sociedade de injustiças e desrespeito em qualquer área. Para tanto, o conselho de administração também é responsável por monitorar o cumprimento do código de ética. 4 ÉTICA PROFISSIONAL E BASES LEGAIS DA PROFISSÃO Gomes (2017), traz uma percepção relacionada aos conceitos de ética e moral que a literatura apresenta por diferentes pontos, mas que tendem a convergir, alguns autores debatem determinados aspectos por considerá-los mais significativos que outros. Portanto, a concepção de ética é exteriorizada, visto que o mundo ético é o mundo do “deve ser” e do “ser”; o primeiro significa o mundo dos juízos de valor, e o segundo, o mundo dos juízos de realidade. Também é importante mencionar que “a moral é a parte subjetiva da ética”. Sendo assim, a moral disciplina o comportamento do homem consigo mesmo, pois se trata dos costumes, deveres e modo de proceder dos homens com os outros homens segundo a justiça e a equidade natural. Em outras palavras, os princípios éticos e morais são, na verdade, os pilares da construção de uma identidade profissional e de sua moral, mais do que sua representação social contribui com a formação da consciência profissional. Refletindo sobre o tema, a moral é o conjunto de regras restritivas de conduta consideradas válidas no convívio social. É imperativa, restritiva, sujeitando o ato à condenação, à punição e conduzindo à heteronomia. A ética é aconselhadora: sujeita o ato à avaliação crítica e conduz à autonomia. Ética profissional é um conjunto de normas e valores de relacionamento e comportamento, que é adotado no ambiente de trabalho. Ética, em um sentido mais amplo, refere-se à ciência da conduta. De origem grega, éthos, a palavra ética significa “morada”, “habitat” ou “refugio”. Também pode-se trabalhar com o conceito de ética como o conjunto de normas tomado pela pessoa que vai adquirindo consciência de como deve se portar um profissional, e isso passa a fazer parte de sua conduta. O indivíduo 19 que possui ética profissional e cumpre com as normas de conduta de uma organização é mais valorizado e reconhecido, afinal, ética é a reflexão crítica sobre valores e princípios referentes à conduta humana para o agir consciente, o senso crítico e a arte de conviver e de ser feliz. Para Gomes (2017), a ética profissional é comparada com a filosofia do agir humano, visto que a vida é considerada como o bem em organizações humanas. A vida plenamente humana participa da cidadania, assumindo com plena consciência a recíproca relação entre direitos e deveres, sem esquecer que consiste essa mesma existência na esfera profissional. Esse mundo humano não é uma dádiva da natureza; é uma conquista cultural. A ética é aplicada no campo das atividades profissionais; assim, há a ética profissional do estudante de gestão ambiental e das demais outras profissões. A ética é ainda indispensável ao profissional, porque “o fazer” e “o agir” estão interligados na ação humana. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão; o agir refere-se à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão. Trabalhamos com a informação que a moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa como uma forma de garantir o seu bem-viver. Independe das fronteiras geográficas e garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum. O direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado. As leis têm uma base territorial; valem apenas para a área geográfica onde uma determinada população ou seus delegados vivem. Pode se reafirmar que a ética é o estudo geral do que é bom ou mau, correto ou incorreto, justo ou injusto, adequado ou inadequado. Um dos seus objetivos é a busca de justificativas para as regras propostas pela moral e pelo Direito. Ela é diferente de ambos, moral e Direito porque não estabelece regras. Os líderes de empresas defendem a ideia de que as pessoas éticas profissionalmente têm mais comprometimento com o trabalho e contribuem para o aumento do nível de confiança, resultando em mais produção e desenvolvimento da organização. No ambiente profissional, a ética se refere ao 20 caráter e é nela que se baseiam as relações interpessoais, objetivando principalmente o bem-estar e respeito no campo laboral. Gomes (2017), traz mais uma reflexão importante: afinal, quando se inicia a pensar sobre ética profissional? Esta reflexão sobre as ações realizadas no exercício de uma profissão deve iniciar bem antes da prática profissional. A escolha profissional, muitas vezes, pode acontecer na adolescência e já deve ser permeada por esta reflexão. Escolher uma profissão é uma opção, mas, ao escolhê-la, o conjunto de deveres profissionais passa a ser obrigatório. Muitas vezes, quando somos jovens, escolhemos uma carreira sem conhecer o conjunto de deveres que estamos prestes a assumir, tornando-nos, assim, parte daquela categoria. Voltando a reforçar a ideia da reflexão, esta deve incluir toda a fase de formação profissional, o aprendizado das competências e habilidades referentes à prática específica em uma determinada área antes do início do trabalho. Ao completar a formação em nível superior, a pessoa faz um juramento, que significa seu comprometimento com a categoria profissional em que formalmente ingressa. A adesão voluntária a um conjunto de regras estabelecidas como sendo as mais adequadas para o seu exercício é entendida pelo aspecto moral da chamada ética profissional. É importante ter sempre em mente que há atitudes que não estão escritas, ou mesmo descritas nos códigos de todas as profissões, mas são comuns a todas as atividades que uma pessoa pode exercer. Estas atitudes são, por exemplo, generosidade e cooperação no trabalho em equipe. Mesmo quando exercidas solitariamente em uma sala, fazem parte de um conjunto maior de atividades de que depende o bom desempenho desta. Também há atitudes consideradas como postura proativa como, por exemplo, não ficar restrito às tarefas solicitadas, mas contribuir para o engrandecimento do trabalho, mesmo que temporário. A pessoa ética segue estritamente todas as tarefas exigidas de seu cargo e cumpre os princípios estabelecidos pela sociedade e por sua equipe de trabalho. Também se menciona que qualquer profissão possui um conjunto de normas que serve de base da conduta dos profissionais, ou seja, a ética 21 profissional vale para todos os colaboradores de uma empresa. Esse conjunto de normas se chama Código de Ética (GOMES, 2017). 4.1 Ética social, profissional e política Conforme Gomes (2017), o convívio social é permeado por regras, princípios e noções que fundamentam a vida moral. O papel da ética é fazer a reflexão sobre esses princípios e noções. Existem diversas concepções de ética que variam de acordo com a ideia de ser humano com que se trabalha, desde a noção religiosa até o pragmatismo mais radical. Diferentemente da moral que é relativa a um grupo social, uma cultura, a ética pretende ser universal. Enquanto a moral pergunta “o que devo fazer?”, a ética pergunta “o que é o bem?”. A primeira é normativa, enquanto a segunda é reflexiva. Aristóteles (384-322 a.C) considerava a felicidade a finalidade da vida e a consequência do único dom humano, a razão. As virtudes intelectuais e morais seriam apenas os artifícios destinados à sua consecução. Já o epicurismo, doutrina idealizada por Epicuro (341-270 a.C), entretanto, identificava como sumo bem o prazer, sobretudo o prazer intelectual, e tal como os adeptos do estoicismo, escola fundada por Zenão de Cítio (340-264 a.C) recomendava uma vida dedicada à contemplação. No fim da Idade Média, São Tomás de Aquino (1225-1274) estabeleceria na lógica aristotélica os conceitos agostinianos de pecado original e da redenção através da graça divina. À medida que a Igreja Medieval se tornava mais poderosa, crescia um modelo de ética que trazia castigos aos pecados e recompensa à virtude pela imortalidade. Para Baruch Spinoza (1632-1677), a razão humana é o critério para um comportamento correto, e apenas as necessidades e interesses do homem estabelecem o que pode ser considerado bom e mau, o bem e o mal. Jean- Jacques Rousseau (1712-1778), por sua vez, em seu Contrato Social (1762), conferiu o mal ético aos desajustamentos sociais e declarava que os seres humanos eram bons por natureza. Uma das maiores cooperações à ética foi a de Emmanuel Kant (1724- 1804), em fins do século XVIII. Segundo ele, a moralidade de um ato não deve 22 ser julgada por suas consequências, e sim por sua motivação ética. As teses do utilitarismo, formuladas por Jeremy Bentham (1748-1832), recomenda o princípio da utilidade como meio de contribuir para aumentar a felicidade da comunidade. Já para Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), a história do mundo compreende “disciplinar a vontade natural descontrolada, levá-la a obedecer a um princípio universal e facilitar uma liberdade subjetiva”. Segundo Gomes (2017), a ética contemporânea é fragmentada, pois se abandonam os desejos de montar um conjunto de postulados e passa-se a analisar situações, temas e questões pontuais. Ainda se encontram divisões no modo de análise, e as duas principais visões são: Morais deontológicas (ou do dever ou da lei): que afirmam que o critério supremo é o dever ou as leis. O termo deontologia surgiu das palavras gregas “déon, déontos”, que significam “dever”, e “lógos”, que significa “discurso” ou “tratado”. Morais situacionais e relativistas: que se recusam a construir a moral sobre um princípio absoluto, seja ele o fim último ou o dever (GOMES, 2017). 4.2 As relações entre trabalho e ética Para que um trabalhador alcance a sua excelência profissional, é importante que siga padrões e valores da sociedade e, principalmente, da organização em que trabalha. A credibilidade vem da postura ética adotada pelo trabalhador, uma vez que a sua atuação deve ser consequência de uma reflexão sobre a melhor maneira de agir. A ética proporciona o ganho de confiança e respeito dos gestores e colegas. A ética no trabalho vai além do ponto de vista do dever, da obrigação, ou das normas de conduta que funcionam como um código moral dos funcionários. Ela pode ser entendida como um conjunto de (BORGES; RODRIGUES, 2011): ➢ Saberes, que forma a moral do trabalho, entendida como algo que define a forma como os trabalhadores devem conduzir as suas vidas enquanto estiverem trabalhando; 23 ➢ Normas éticas que devem formar a consciência do profissional e ser imperativas para a sua conduta; ➢ Princípios morais que devem ser observados no exercício de uma profissão; ➢ Valores e normas de comportamento e relacionamento adotados no ambiente de trabalho, no exercício de uma atividade. As organizações adotam padrões éticos profissionais, aplicando-os às suas regras de comportamento internas, visando o bom andamento de todos os processos organizacionais, o atingimento das metas e o alcance dos objetivos estratégicos. A ética no trabalho é a ferramenta de exercício cotidiano de honestidade, lealdade e comprometimento, que conduzem as ações do indivíduo no exercício de suas atividades na empresa. A ética no ambiente de trabalho é de fundamental importância para o bom funcionamento das atividades da empresa e das relações de trabalho entre os colaboradores. Quanto maior a organização, mais se faz necessário um código de ética, para que ele sirva para padronizar os procedimentos de trabalho e estabeleça regras e valores de conduta para todas as áreas. O código de ética prevê princípios a seguir e penas disciplinares aos trabalhadores que não obedecerem aos procedimentos e normas da área. Normalmente as organizações disponibilizam canais de comunicação próprios para denúncias, em que os funcionários podem relatar fatos de descumprimento das normas estabelecidas no código de ética e que tenham sido observados no ambiente de trabalho ou na relação com clientes. A ética no trabalho serve para construir relações de qualidade com os colegas de trabalho, chefes e subordinados, e para contribuir para o bom funcionamento das rotinas de trabalho, uma vez que relações amigáveis e respeitosas contribuem para o aumento do nível de confiança e comprometimento dos funcionários, refletindo no aumento da produção e do desenvolvimento da empresa. Os comportamentos antiéticos, por outro lado, prejudicam o clima organizacional, afetando o rendimento das equipes. A relação entre a ética no trabalho e os processos de subjetivação, ou seja, a maneira como podemos pensar a ética e o trabalho de forma mais 24 abstrata e subjetiva, pode ser compreendida como Bitencourt (2010), demonstra a seguir: ➢ Um código normativo, que age como um mecanismo disciplinador e de submissão dos funcionários; ➢ Um processo de identificação, relacionado ao reconhecimento social do funcionário como um cidadão; ➢ O conjunto de possibilidades trazidas pelo código normativo associado ao trabalho, que influencia a ética como prática reflexiva da liberdade, ou seja, uma reflexão sobre as decisões dos trabalhadores quanto ao próprio destino. O grau de liberdade para a reflexão ética vai depender dos valores morais que envolvem as formas de gestão e a cultura das empresas, bem como as restrições impostas pelo mercado de trabalho. Algumas profissões têm conselhos de representação que têm a responsabilidade de criar os códigos de ética específicos de cada área de atuação e, também, de fiscalizar o seu cumprimento. Esse código, chamado de código de ética profissional, é o conjunto de normas éticas que devem ser seguidas pelos profissionais enquanto exercem seu trabalho, independentemente da empresa em que estiverem. Ele existe para padronizar procedimentos operacionais e condutas de comportamento, garantindo a segurança dos profissionais e dos usuários de serviços específicos. Ele também prevê princípios a seguir e penas disciplinares aos trabalhadores que não obedecerem aos procedimentos e normas da área (BORGES; RODRIGUES, 2011). 4.3 Virtudes da ética profissional Algumas virtudes são ressaltadas como primordiais para o bom desenvolvimento profissional, como (Quadro 1): Quadro 1 – Virtudes da ética profissional 25 Comprometimento O compromisso do profissional se aplica sistemicamente. Em primeiro lugar, ele deve se comprometer com o próprio desenvolvimento contínuo e se comportar de maneira congruente com sua linha de pensamento, ou seja, agir para alcançar suas metas e objetivos, e o único caminho é a entrega dos resultados solicitados pela empresa. Em segundo lugar e não menos importante, ele deve estar comprometido com os colegas de trabalho, com os líderes e com o público da marca. Ao desempenhar sua função com excelência, automaticamente estará contribuindo para o todo. Responsabilidade Para a preservação de uma marca ou produto, o profissional deve manter uma postura congruente com seu trabalho e manter para si os dados que lhe foram confiados, a fim de garantir o sigilo necessário. Integridade É indispensável manter a transparência nas atividades exercidas, ser honesto com o gestor direto e demais profissionais, garantindo que todos sejam influenciados positivamente por seu trabalho, de forma direta ou indireta. Fonte: Adaptado de BORGES; RODRIGUES, 2011. 4.4 O código de ética nas organizações O código de ética, ou manual de conduta ética empresarial, é um documento que espelha os valores, princípios e a missão das organizações. O código permite que se conheça o posicionamento da corporação perante a sociedade com a qual interage direta e indiretamente. Através do Código é possível compreender e avaliar a função da empresa no mercado e a sua expectativa para com os seus colaboradores. O Código de Ética das organizações é baseado na legislação vigente no país, e versa sobre: ➢ As relações internas na organização; ➢ As relações com o consumidor; ➢ A proteção dos Direitos dos Trabalhadores; 26 ➢ O Repúdio às práticas ilegais (corrupção, assédio moral e sexual); ➢ Outros temas vigentes (BORGES; RODRIGUES, 2011). 4.5 Ética na tomada de decisões Fonte: shre.ink/mvL0 Em relação a tomada de decisão no ambiente profissional, Consenza (2020), esclerece que os códigos de conduta, a responsabilidade sócio ambiental, políticas, regulamentos, contratos e gestão, são algumas das principais formas de como as corporações podem e devem praticar sua ética na tomada das decisões empresariais e nas relações institucionais com a sociedade. As organizações buscam o máximo lucro como forma de acumulação de riqueza e sua distribuição aos acionistas e colaboradores. Contudo, o que vai possibilitar que esta meta seja alcançada, é a forma como a empresa atua e mobiliza a sua estrutura, respeitando seus valores morais, princípios e conduta ética. A competitividade do mercado é um dos fatores que leva as empresas a compreenderem que a ética e o respeito às leis, são valores inegociáveis e necessários no mundo atual. As decisões empresariais pautadas em princípios éticos refletem o comprometimento das empresas em respeitar as leis com transparência de tal modo que atendam as expectativas da sociedade. Nas tomadas de decisão 27 baseadas em princípios éticos é fundamental a clareza e a objetividade, pois é a partir destes procedimentos que os colaboradores se motivam e se sentem realmente partes integrantes da corporação. Consenza (2020), pontua que quando as decisões dos gestores respeitam os valores éticos, os consumidores, fornecedores, parceiros, governo e a sociedade de forma geral se sentem seguros e confiantes quanto aos produtos e ou serviços prestados por esta organização. Através da conduta ética a empresa fideliza e atrai novos clientes, solidificando a confiança destes junto à empresa, além de agregar credibilidade aos negócios. Ao aplicar padrões éticos na gestão da organização e nas decisões empresariais, a organização obtém melhores resultados ao enfrentar a concorrência. Um fator muito importante é o momento ou o quadro conjuntural em que as decisões serão tomadas. Decidir corretamente não é o suficiente, por isso a ética atua como uma bússola na tomada de decisões no mundo corporativo. Ao administrador compete a responsabilidade de tomar importantes decisões empresariais que causarão impactos relevantes em toda a corporação. Isso implica que suas decisões não devem apenas focar as questões da lucratividade e retorno financeiro aos investidores. As decisões também envolvem pessoas, e, por esta razão devem ser pautadas pela ética. Muitas empresas elaboram sua declaração de missão, visão e valores, porém, no momento de decidir sobre determinadas questões acabam por não observar tais princípios o que se configura em atitude incorreta sob o foco da ética. A crise americana de 2008, que se transformou numa grave crise global, foi provocada também pela ausência de uma conduta ética nas empresas que avalizavam financiamentos aos consumidores do mercado imobiliário considerados de alto risco. A empresa quebrou o código de ética no momento em que omitiu as reais condições da carteira que já indicava a possibilidade de inadimplência generalizada, como de fato ocorreu. Este exemplo mostra como as decisões tomadas sem amparo ético comprometem a imagem e o resultado das organizações, podendo inclusive causar danos irreparáveis à sociedade (CONSENZA, 2020). 28 5 QUESTÕES ÉTICAS ATUAIS Fonte: shre.ink/mvLJ Para Sá (2019), a atualidade tem exposto desafios e problematizações éticas que se configuram como um grande obstáculo para as sociedades, mas também como um grande aprendizado. A pluralidade entre os indivíduos traz questões muitas vezes pensadas no campo moral e, portanto, valorativo e mais subjetivo, que necessitam de uma intervenção ética. Ou seja, questões como a ética em relação à política, a aceitação do outro diferente e o reconhecimento de direitos compõem a reflexão ética contemporânea que, de modo mais universal, tem o papel de ponderar os posicionamentos e deliberar sobre o bem comum. Os dilemas éticos que se apresentam atualmente formam uma espécie de bifurcação. Se de um lado temos uma “crise ética” no campo da política e da organização social, por outro temos um avanço discursivo relacionado a campos como a bioética, questões de gênero e igualdade racial, entre outras questões. Não que essas áreas não necessitem de muitas conquistas, mas elas ocupam lugares de debate, o que anteriormente não era tão problematizado na sociedade. Na contemporaneidade a humanidade vivencia o resgate de certos ideais que colocam em risco o pacto democrático ao redor do mundo. Desse modo, ao mesmo tempo, em que se observa um avanço nos debates sobre alguns temas, 29 observa-se também um regresso sobre os mesmos temas engendrado por uma moral mais conservadora em alguns aspectos. Gomes (2017), menciona ainda que o fascismo surgiu na Europa, especificamente nos anos 1920, e serviu como modelo político para governos com o viés totalitário. Foi com Benito Mussolini que o Partido Nacional Fascista surgiu e ocupou o poder em 1922, na Itália. Tal partido, de viés socialista, adotou práticas antidemocráticas e de repressão para se manter no poder e acabou por servir de modelo a Hitler para a imposição do nazismo na Alemanha, com viés à extrema-direita. Ou seja, após a Primeira Guerra Mundial, tanto a Itália quanto a Alemanha ficaram devastadas, o que levou à ascensão de líderes ditadores que vinham com a promessa de revitalização social e econômica. Independentemente da orientação ideológica, ambos tinham práticas ditas fascistas. Ou seja, enquanto Mussolini tinha como inimigo qualquer oposição aos seus ideais e governo, Hitler tinha como inimigos comunistas, judeus e qualquer oposição. Não se pode dizer que o fascismo esteja ressurgindo na sua versão clássica, a imposição de um partido único, mobilização das massas em torno de tal partido ou, ainda, a repressão e o extermínio de opositores. Entretanto, a recombinação de elementos totalitários nas sociedades atuais é perceptível. Por exemplo, o controle sobre a mídia em certos países, ou ainda a descredibilização de informações, a fim de que haja uma “verdade” vinculada ao governo, como se pode observar na Rússia, sob a governança de Vladimir Putin. Outro elemento é a responsabilização de crises que se dão no mercado financeiro a um inimigo comum, como ocorreu na Alemanha nazista, quando a má situação econômica foi atribuída ao sucesso financeiro dos judeus. Assim, assistiu-se ao surgimento de novos líderes em contextos de crise, com esperanças messiânicas por parte da população e eles utilizam como agência de poder o ódio ao outro, ao escolherem um grupo para responsabilizar pelos resultados negativos. No tocante ao racismo e à xenofobia, eles sempre existiram na Europa, mas cada vez mais se tornam instrumentos políticos para mobilizar as pessoas em direção ao medo e à desconfiança. Ao invés do ódio ao judeu ou ao comunismo entre outros. Nesse contexto, ressalta-se o risco democrático atual, 30 tendo como exemplo o número crescente de neonazistas na Alemanha ou a fundação do Partido CasaPound (em homenagem ao poeta Ezra Pound, que apoiou Mussolini) na Itália, que tem como proposta o antissistema, o ultranacionalismo, a anti-União Europeia e a anti-imigração, e se declara de extrema-direita. Vale ressaltar que o avanço de debates éticos em diversos campos fica condicionado à abertura cultural de determinadas sociedades, o que passa pela abertura política. Por exemplo, a discussão atrelada ao gênero. Os números de mulheres que reivindicam igualdade salarial e social só têm aumentado; entretanto, um dos obstáculos que se fazem presentes é a relativização dos problemas enfrentados pelas mulheres, tais como feminicídio, agressão, abusos físicos e psicológicos, jornada dupla ou tripla, entre outros. Assim, diante da importante conquista de tal tema estar sendo discutido e problematizado, também há a descredibilização da importância desse debate. O mesmo se dá em torno da discussão sobre identidade de gênero, em que se tem um grande avanço na discussão sobre a imposição heteronormativa sobre os corpos e, do mesmo modo, uma grande repressão em torno dessa discussão. Já no campo das ciências, que também são afetadas pela política, tem- se uma vida dupla em relação os avanços e retrocessos, tais como: ao mesmo tempo que descobertas são feitas e debatidas sobre aplicabilidade e respeito à vida, tem-se, principalmente no Brasil, o questionamento sobre o investimento na pesquisa ser importante ou não. Muitas das obstaculizações ocorrem por parte de setores conservadores, o que gera um impasse entre moral e ética. Uma vez que a tarefa da ética é buscar um consenso em vista de um bem comum, muitos dos avanços científicos são interpelados pelos discursos religiosos, a exemplo das discussões sobre anticoncepcionais, transfusão sanguínea, clonagem, entre outros. Dessa forma, é possível concluir que as questões éticas estão inseridas em todos os setores da sociedade e estão em constante mutação (GOMES, 2017). 31 5.1 Os efeitos das transformações contemporâneas nos códigos normativos Fonte: shre.ink/mvLF Em relação aos efeitos das transformações contemporâneas nos códigos normativos Bitencourt (2010), traz uma discussão em torno das transformações da ética no trabalho, criando duas definições sobre o tema: ➢ é um código antigo, com origem na doutrina protestante e que se associou ao espírito capitalista da modernidade; ➢ é a discussão sobre a remodelação desse código devido às transformações sociais, que possibilitam a reflexão sobre o lugar que o trabalho exerce na vida das pessoas. O autor ainda menciona que o termo ética no trabalho, ou ética protestante do trabalho, surgiu no Brasil em 1967, depois da tradução brasileira da obra A ética protestante e o “espírito” do capitalismo, de Max Weber. Ele faz referência às condições morais para o surgimento do capitalismo, condições essas que estavam presentes na ética protestante. O protestantismo foi um movimento religioso que eclodiu na Europa Central, no início do século XVI, como reação contra as doutrinas e práticas do catolicismo romano medieval. A motivação psicológica para o trabalho era uma forma de a doutrina protestante se assegurar. O trabalho passou a ser visto como obrigação moral para as pessoas 32 e o capitalismo passou, então, a não precisar mais da religião como um suporte. No princípio, os fundamentos da ética no trabalho eram: ➢ A busca individual do sucesso; ➢ A capacidade de o indivíduo postergar o seu prazer e divertimento em prol do acúmulo de dinheiro; ➢ A aceitação da existência de uma obrigação moral de trabalhar de forma disciplinada, mesmo que o trabalho fosse árduo e difícil; ➢ A obediência às ordens do patrão, sempre com o devido sentimento de obrigação em relação a elas; ➢ A importância do trabalho em todos os aspectos da vida, significando valorização pessoal. Ainda conforme Bitencourt (2010), na sociedade industrial, a ética no trabalho passou a ser considerada como um elemento essencial para a modernização da sociedade, e muitos estudos tentaram estabelecer a relação existente entre a ética no trabalho e as transformações possivelmente trazidas pelo capitalismo. No Brasil, o trabalho passou a ser valorizado com a criação da carteira de trabalho, documento que demonstra o exercício da cidadania do indivíduo e o esforço do país em atribuir ao trabalho um caráter essencial na vida dos indivíduos. O trabalho passou a ser visto então como uma fonte de dignidade e de moralidade e uma ferramenta de ascensão na sociedade, além de uma forma de servir ao sustento do país por meio da submissão e da obediência. Atualmente, a relação entre trabalho e cidadania e a associação dos valores ligados ao trabalho e à família passam por modificações radicais na nova estruturação do capitalismo. Nos países capitalistas, os códigos normativos começaram a passar por transformações contemporâneas devido ao aumento do individualismo, à diminuição dos laços sociais, à cultura do narcisismo, à perspectiva de incerteza generalizada na sociedade, à competição extremada, à destruição das garantias das estabilidades e à consideração do código moral como algo de importância relativa. 33 5.2 Função social da profissão e ambiência social contemporânea Sá (2019), menciona que o trabalho individual influencia ao mesmo tempo, em que recebe intervenções do meio, sendo, que em seu grupo o profissional compartilha sua contribuição ou a sonega. Quando ele adquire o senso do valor social de suas ações, de sua vontade em relação ao comum, ele é capaz de realizar atos importantes de ampla influência. Quando o Estado, como organização motivada pela sociedade, desperta as ideias da coletividade, quando as administrações públicas são sinceras com seu povo, quando a justiça se aplica sem garantir e não esconde as falhas dos mais poderosos, a consciência da sociedade é exercido com maior influência. Diante, todavia, de um exercício ineficaz da autoridade e de um poder corrupto, oligárquico e incompetente, abala-se a vontade de uma ação de cooperação para com o Estado. Nas circunstâncias descritas, podem ocorrer atitudes mentais adversas para a nação e para a sociedade. Assim, por exemplo, a corrupção e o roubo podem implantar-se como conduta justificável diante daquelas praticadas pelo poder. Como afirmou Spengler, a ideia do Estado que requer a participação igualitária de todos é consequência de todo um processo histórico e de uma cultura que se consolida nessas áreas do ideal. Como isso nega, em parte, a ideia de que a contribuição seja uma índole e que tenha força para sobrepujar o interesse individual. Idealmente, entretanto, é imprescindível que as profissões se preocupem com o social, mas, se não são induzidas a isto, o que tende a ocorrer é a ação irresponsável de todos (SÁ, 2019, p.138). A ausência de responsabilidade para com o coletivo gera, como consequência natural, a irresponsabilidade para com a qualidade do trabalho. Ofertas indiscriminadas de “pacotes de propostas”, com rótulos mercadológicos, invadem os mercados de serviços e de bens, sem nenhum compromisso com a utilidade. Apresentam-se ideias antigas, fracassadas em suas épocas, mas com outra rotulagem, cercadas de vasta propaganda e literatura (como o caso da “reengenharia”, para citar-se um só exemplo), preocupadas apenas com a “venda de serviços”, para promoverem receitas profissionais, sem responsabilidades em relação aos efeitos sociais das medidas derivadas. 34 Planos econômicos são elaborados para efeitos políticos, sem atenção aos danos sociais que causam, sobrepondo interesses monetários àqueles humanos e do bem-estar. Vendem-se pareceres profissionais para certificar situações estáveis de empresas onde já há plena instabilidade, atos de corrupção e decadência. Todo esse quadro de atentados das profissões ao ambiente social, praticado em todos os níveis e em todas as classes, não por todos, mas por grupos minoritários dominantes, mostram-nos a distância entre o ideal social e o egoísmo acentuado no desempenho de um trabalho de cunho apenas lucrativo e de proveito individual. Essa mesma falta de responsabilidade e de visão para com o social também se espelha na elaboração e aprovação de leis, como amplamente e há mais de um século já reclamava e expunha Spencer em seus trabalhos (SÁ, 2019, p. 140). Outra questão delicada, em face do social, diz respeito à filosofia que um Estado segue, impelido pela decisão totalitária de grupos do poder, deixando-se guiar por “verdades relativas”, ou “critérios de conveniência política”. O movimento das cruzadas, na Idade Média, e as Guerras Mundiais, na Idade Contemporânea, são apenas dois exemplos que poderiam ser evocados para evidenciar que o destino dos povos nem sempre segue um puro interesse moral e que o social pode estar encasulado e envolvido por essas “bandeiras de verdades aparentes”. Como conceber o verdadeiramente moral perante a sociedade, ou mesmo diante do Estado, se trata de um tema complexo, uma vez que o Ético perante o Estado deva ser encontrado dentro de uma filosofia de virtudes, de prática do bem, de encontro com a felicidade, como preconizou Aristóteles, ou com o prazer, como admitiu Bentham, mas custa-me aceitar que as “bandeiras” ou “filosofias subjetivas de grupos do poder” possam ser a parametria verdadeira do social, do que se deve aspirar como conduta humana. A contribuição profissional, todavia, é, muitas vezes, compulsoriamente exigida e, quando está de acordo com a lei, ganha aparência de ética, mas, na essência, de acordo com o autor mencionado anteriormente, não pode ser aceita como tal. Entre a vontade ética, aquela da concepção de Kant, de Espinosa, e aquela que se toma para satisfazer tais “bandeiras”, parece-lhe existir um conflito ideológico de profundidade. Até que ponto a vontade do ser, para ser ética, deva seguir os princípios de uma ciência ou de uma vontade exigível que se ajusta ou amolda a critérios de conveniências de “bandeiras” políticas, mascarada como social, em um 35 momento histórico, entendo como valioso distinguir-se, pois custo a aceitar a referida mescla conforme a circunstância, se a política fere os princípios éticos, estabelecidos pela ciência, o que nesse sentido se produzir como conduta, pode ser do interesse do Estado, mas não o será daquele social, em sentido absoluto, ou seja, pode ser bom para o Estado, mas não o ser para os indivíduos. As linhas entre a conduta perante a nação e aquela perante os princípios científicos da Ética, nesse caso, e também entre os próprios interesses sociais que em tese devem coincidir com os do Estado, embora isto nem sempre ocorra, parecem árduas de traçar. Questiona-se até que ponto o profissional deve atender a uma ética científica ou a uma conduta volvida ao cumprimento das leis de seu país, que espelham a política do governo das minorias dominantes, na atualidade. É absolutamente justo e criterioso admitir-se a vontade ética volvida a realizar uma conduta em prol do social, mas o que entender verdadeiramente por social faz-se exigível para uma orientação sadia. Não se trata de fazer apologia de uma desobediência civil, mas de reconhecer que o poder, nas mãos de minorias dominantes, há muito tempo, em quase todo o mundo, deixou de praticar uma política verdadeiramente em favor da sociedade, e isto se comprova pelas estatísticas que indicam o progresso da miséria no mundo, paralelamente a um progresso da má distribuição da renda (SÁ, 2019, p.142). As profissões que derivam da aplicação de conhecimentos classificados como sociais, do homem, diante das realidades contemporâneas, encontram sérias dificuldades. Tais barreiras evidenciam-se inclusive diante de sentenças e de acórdãos, de juízes e de tribunais que se rebelam contra as próprias leis aprovadas pelo governo, produzindo decisões que são autênticos gritos de evocações morais, diante de uma ambiência política do legislativo e do executivo que consideram volvida contra o interesse do povo. Outras vezes, tais rebeldias têm-se consubstanciado na desobediência civil diante de medidas do governo que ferem a ética profissional. Tais atitudes são bastante evidentes para comprovar a tese de que na conduta humana, na aplicação dos preceitos éticos, não se pode negar a parcela de cooperação do indivíduo ao social, nem confundir o Estado com a sociedade, nem um governo com o próprio sentimento individual e nacional. 36 Não se pode negar que o Estado nasceu de uma vontade das sociedades de se organizarem, mas não é menor verdade que a autoridade e o poder exercidos em nome de tal instituição nem sempre têm se comportado dentro dos interesses das próprias sociedades. O objetivo do Estado é o bem público, mas nem sempre os dirigentes, incumbidos de cumprir tais propósitos, se comportaram dentro de uma filosofia sadia e motivadora da ética. O direito pode legitimar um poder e este legitimar outras situações de direito, mas nada disso legitima a conduta que se processa contra os princípios éticos. Não se confundem, pois, as formas legais com as essências éticas, e nisso pode residir uma colisão entre as ações do poder e aquelas da real prática das virtudes. O social em si, o Estado como decorrência do social, as classes, os grupos e as relações próximas entre os seres criam deveres éticos específicos e definidos em relação à conduta relativa a cada um. A realidade, entretanto, mostra, também, que não existem sociedades constituídas total e exclusivamente por virtuosos, nem só por células sociais eficazes. Tarefa da ciência ética e das ciências sociais é contribuir para que tais estágios desejáveis sejam alcançados, pelo menos, quase totalmente. Isto implica a produção de modelos científicos que podem ser construídos para serem paradigmas de uma nova sociedade, conquistada pelos esforços do aperfeiçoamento das condutas e da consecução da felicidade. Não se trata de desejos vãos, mas de esforços da razão no sentido da produção de máximas para uma convivência humana fundada em critérios de condutas e procedimentos competentes para a consagração do respeito humano e da vitória do amor sobre todos os vícios, em sua modéstia de vida, mas em sua grandeza de alma (SÁ, 2019). 37 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BITENCOURT, C. Gestão Contemporânea de Pessoas: novas práticas, conceitos tradicionais. 2. ed. Porto Alegre: Bookman. 2010. BORGES, I. R; RODRIGUES, M. C. Ética e Responsabilidade Profissional. Canoas: Ulbra, 2011. BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 05/10/2022. BRASIL, Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 05/10/2022. CAMARGO, M. Fundamentos de ética geral e profissional. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1999. 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